Sugestão: Cabeça
Quando lá, comer: Frango com alho
O Bar do Santista (em Curitiba) fica no Guaíra, vizinho do Portão além do Água Verde. O nome da rua é Paraíba, e sim, fica na região das ruas com nomes de estados, mas é pra lá da Avenida Kenny G, então o nome dá a impressão de ser mais perto do que é. Pra chegar lá, você vai pela rápida do Portão sentido portão e vira à esquerda depois do Ventura, e segue até o Palladium como de costume, mas em vez de virar à direita pra contornar o shopping e pegar a Santa Bernardethe, segue reto na Kenny G. Depois de uma quadra, tem uma rua que sai na diagonal à direita, é a Paraíba. Segue reto e a rua de cidade vai virando rua de villa, depois dumas seis quadras sai uma rua torta à esquerda na frente do que parece um canteiro, e o bar é ali mesmo – a partir das 10h é capaz de você já ver uns véio sentado na frente, dependendo do clima. Chato que o busão prali é meio lazarento, ou vai a pé do terminal do Portão que dá uns 15 min, ou pega um alimentador laranjão no terminal. Mas tu que é aventureiro(a), adora um boteco e tá de varde, pode gastar um tempinho a mais pra ir num bar raiz sem se preocupar com multas de trânsito ou xilindró. Ou a saída fácil, pega um Uber.
A frente do botecão de bairro
O Bar do Santista transborda botecalidade. Sensação de botecão de vila, quadros de futebol e tevê com futebol também, chão de lajota, lâmpada fluorescente. Tentaram padronizar as mesas de madeira e cadeiras de segunda mão da Rua Riachuelo, mas as cadeiras de prástico da Brahma são necessárias para suprir as vagas extras para o vizinho que não foi convidado, mas apareceu. Você pode escolher lá fora ou lá dentro, mas saiba que lá dentro a chance grande é de estar lotado com os clientes cativos do lugar, que pelo jeito não largam mão de reunir com frequência lá – tanto que uma das paredes é coberta com fotos e desenhos homenageando os aparentemente mais frequentes. A gente chegou às 19hpouco e o bar estava 100% lotado, e assim ficou até 22h, ninguém saía! Mas é compreensível – sabe quando você entra num lugar e sente a energia positiva de quem está em casa, batendo um papo animado sem se preocupar com a problemática da vida? Isso sim é a verdadeira essência do boteco brasileiro.
Tive até que pular uma linha depois dessa frase de efeito, pra não se perder num parágrafo tão grande. O cara mais agitado do bar é o dono, que atende por Vini e é identificável por uma camisa do Santos FC, que certamente usa todos os dias como uniforme. Ele fica correndo pra cima e pra baixo pra levar os comes e bebes em todas as mesas, e ainda troca umas frases com quem está sentado no balcão. Eu tenho a impressão que alguém que ajuda ele faltou naquele dia, era ele e a turma da cozinha que não sei se é só uma senhora ou mais alguém, mas era difícil arrumar uma audiência com ele pra pedir coisas. Ele é um cara baixinho e truncado, não muito sorridente, mas faz o possível para tratar todo mundo bem, mesmo forasteiros como nós. A comida demorou um tanto, mas não o suficiente para a gente achar que o pedido foi esquecido.
Climão de boteco de interior
Paredes homenageando os nativos, em versão carne e osso logo abaixo
Engravatados suspeitos
Nóis perdido lá fora
Cardápio não tem, mas as garrafas estão ali
Cardápio em boteco raiz é o cacete, você pergunta o que tem pra comer e está sujeito a escolher o que o dono lembra de falar que tem. Dentre as opções fornecidas, escolhemos o frango a passarinho com bastante alho, suculento e saboroso, ponto alto da noite. Fritas bem boas. Tinha acabado o torresmo, mas ao notar nosso desapontamento, Vini foi lá dentro e voltou com uma meia porção que arrumou na cozinha, firmeza ele. Torresmo bom, por sinal. Bolinho de alguma coisa que não lembro. Tilápia. De forma geral, a comida era de boa qualidade, acima da expectativa. De beber, cervejas convencionais e biritas de boteco em variedade limitada, fazem caipirinha – disponíveis os elementos essenciais para um boteco que se preze. Preço relativamente amigável.
Guerreiros da noite
Como citado acima, chegamos não muito tarde, mas o boteco estava lotadão de véios e assim ficou até de noitão. Não tivemos opção senão puxar uma mesa de prástico do lado de fora, não estava tão frio mas batia um vento desagradável. A expectativa era que alguém fosse embora pra gente assumir uma mesa mais confortável do lado de dentro, mas isso só aconteceu às 22h. Mas tudo bem, a gente se divertiu com nosso bate-papo e com a circulação dos nativos. Lá dentro tinha mesa que tava rolando até caranguejo, mas não parecia estar disponível aos plebeus – e o clima lá fora não estava propício ao trabalho de destrinchar um crustáceo. Tudo pra estarmos mal-humorados, mas o clima é animador. Fomos lá dentro quando os engravatados liberaram a mesa, e tomamos mais uma rodada para fechar a noite mas não o boteco.
Resumindo, botecão, ambiente raiz top, nativos véios e animados, recomendamos ir com temperatura agradável para não arriscar ficar no relento pegando friage. Se deseja conforto ou comidas gurmetizadas, escolha outro lugar, mas se está esportivo, com saudade da vila, uma ótima botecada.







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