quinta-feira, 2 de julho de 2026

#305 – Gafieira – 23/04/2026

Presentes: Adolfo, Bráulio, Cabeça, Cid, Pedro-san, Tanaka
Sugestão: Adolfo
Quando lá, comer: bolinho de carne

O Gafieira fica numa das vias principais do Boqueirão, Coronel Luiz José dos Santos. Pra chegar lá tu pode ir pela Marechal Floriano e virar à direita logo depois do Black Burger que é o estabelecimento peculiar hexagonal, na ruela que não parece principal por causa do riozinho mas vira principal depois dumas 4 quadras, aí roda bem umas 10 quadras, cuida pra não virar à esquerda na Cascavel pela pista da esquerda, e logo depois da igreja fica na esquina do lado esquerdo. A outra via de acesso ao Boqueirão é a Derosso, passando a Baggio você vira à esquerda no posto Ipiranga, e vai bem umas 10 quadras também. Porra, o bar é equidistante das vias de acesso, é meio desgraçado demais pra andar do Terminal do Carmo. Se quiser baldear no Terminal do Portão e pegar o busão alimentador Terminal Hauer, para na frente. Senão te vira, pega um Uber ou arruma um motorista da rodada. Tem estacionamento, mas não use se for beber.

Parada obrigatória nesta esquina

O Gafieira é do mesmo dono do Jeremias, que está em plena expansão pela cidade, marcando presença no quinto ponto cardeal, o Boqueirão, e agora na Almirante Tamandaré (a rua, não o município) e até em Londrina. Aí quem foi no Jeremias vai reconhecer prontamente o estilo do estabelecimento e a caipirinha no pote. Lugar abertão e amplo, teto de metal, todo envidraçado, iluminadão, o estilo é legal. Mesmo a fonte do letreiro meio torta de propósito é a mesma, já dá pra desconfiar que vem da mesma fonte. O Gafieira conta com um mega salão “meio” dividido pela curva da esquina, mais um conjunto de mesas próximas ao balcão em um nível elevado, mas no fim das contas tudo faz parte do mesmo espaço. Nos fundos tem um conjunto de mesas ao relento, possivelmente pra quem queira fumar. No nosso caso, este espaço foi providencial, porque no salão tava rolando um sertanejo universitário do mais desgraçado possível em alto volume e quisemos fugir. Chato que estava uma friaca medonha, mas priorizamos o bem-estar auditivo ao conforto térmico, ainda que desse pra ouvir lá no fundo aquele som pentelho. De brinde, ganhamos um garção cativo que sofreu conosco no frio, mas meio que não adiantou: a comida demorava bastante, e a bebida dava a impressão que demorava mais ainda.

Vista de drone do salão principal
Dobrando a esquina
Subindo a escada... é tudo que o mesmo ambiente
Lá fora é outro ambiente
Porções
Mais porções
As famosas caipirinhas
Outros

O cardápio do Gafieira traz uma variedade legal de porções, mas a execução foi bastante aquém do desejável. Além da demora considerável, várias porções deram bem errado. Os pastéis vieram muito vazios, pouco recheio, e passaram do ponto na fritura, vieram marrons. Coração e calabresa bem ruins, esses faltaram fritar, fora do ponto, aquele gosto de gordura mal-assada/frita. Carne de qualidade inferior. Fritas aceitáveis. Torresmo estava OK. O que salvou foi a tilápia e o bolinho de carne, esses estavam bons, mas poxa. Dentre as biritas, a graça está nas caipirinhas variadas – limão siciliano foi a mais bem cotada. Mas o preço da caipirinha é pesado demais para uma birita feita com Velho Barreiro – um caso clássico de quantidade acima da qualidade, caipiras grandes a ponto de parte do pessoal parar logo na primeira e já migrar pras cervejas convencionais. No fim, o preço não compensou os pontos negativos.

Ambiente botecal saudável

Conforme dito, uma friaca do diabo naquela noite, e mesmo se a gente tivesse se submetido ao péssimo gosto musical do estabelecimento, teríamos sofrido porque o salão é amplo e todo envidraçado, a friaca permanece. Isto não é algo ruim para um dia de calor, mas era o dia errado. Ficamos lá atrás batendo papo, e conforme a turma foi chegando, foram passando fome até as comidas chegarem. E mesmo com tudo essas desgracêra negativa, o poder da socialização e boa vontade entre os homens traz alegria e satisfação. Muitas risadas, presença desejada do Tanaka que tem estado menos assíduo, mesa cheia de gente e besteira, o espírito da integração é coisa linda.

sábado, 6 de junho de 2026

#304 – Consulado Central – 09/04/2026

Presentes: Adolfo, Bráulio, Cabeça, Cid, Pedro-san
Sugestão: Cid
Quando lá, comer: bolovo de codorna

O Consulado Central é central sim, o nome não mente! Fica ao lado do Stuart e na frente do Maneko, vizinho à Praça Osório. Lugar muito espertamente escolhido pois os rumores de reabertura do Stuart corriam há anos, e sendo um bar historicamente muito disputado, a turma pode espirrar ali pro lado. Sendo ambos os três botecos no estilo tradicional, há forte tendência de termos um polo de boteco raiz no centro da cidade, cara, que perspectiva excelente para as próximas gerações (e antigas enquanto existirem). Bom, sendo centro, vá de busão, todos os busões convergem à Praça Rui Barbosa, facilidade tremenda.

Expectativa de um polo de boteco raiz na região...

O Consulado Central é do mesmo dono do Bar Otelo, bastante perto dali por sinal, e dá pra sentir realmente o mesmo clima de bar do Rio de Janeiro. Um dos garçons inclusive disse ser importado do Otelo. É bem pequeno, dá pra dizer que tem três ambientes no fim das contas: lá dentro, sob o toldo na calçada, e fora do toldo na calçada (ali é rua já). O ambiente interno é decorado no estilo antigo tradicional, cardápio na parede, fotografias antigas, parede de azulejo, caixas de cerveja, o próprio balcão, tudo parte de uma decoração harmônica. Debaixo do toldo acho que é o lugar mais top, visão interna e externa, facilidade de catar o garçom, grade com floreiras, agradável – só que a passagem é estreita e só cabe mesa pra 2 pessoas, então fomos jogados para fora (a mesa da rua), pois não havia mesa pra 5-6 nos outros ambientes. Apesar de ser complicado arrumar uma mesa, isso deixa o ambiente mais agradável que no Otelo, que como dissemos no post anterior fica barulhento demais, uma zona. Tomar uma na calçada olhando o movimento num dia de calor é bom demais. Enfim, apesar do tamanho reduzido ainda sofrem do mesmo mal do Otelo: atendentes até atendem OK, mas esquecem pedidos, às vezes vem rápido e às vezes demora, precisamos de procedimentos bem estabelecidos pessoal!

Botequim apertadim
Climão top lá fora
Bebes e Petiscos
Parte menos importante do cardápio
Dá pra escolher na parede do jeito antigo
Uma amostra do que há por vir

O cardápio do Consulado Central é um grande atrativo, assim como era no Otelo. Focamos nas porções, naturalmente; o número de opções é menor que no Otelo (pelo boteco ser menor certamente) mas não há perda de qualidade. O bolovo de codorna é sensacional, forte sugestão nossa. Pastel de queijo excelente. Caldinho de feijão bom. Isca de peixe, camarão bem bons, gostei mais do camarão frito que do atoladinho, dá a sensação de ser mais fresco. Acepipes e rollmops, fritas e aipim, não sou muito fã do aipim modelo “bolinho”, prefiro o natural. Carne de onça OK, podia ter um tempero mais caprichado, carne ser mais processada, dava a impressão que tinha saído do saco da geladeira pro pão. De beber, chope só tinha claro, escuro fez muita falta. Biritas de boteco bem tradicionais, nada um pouco mais diferente ou especial. Poucos drinks clássicos. Caipirinha de velho barreiro. Porções pequenas é daquele jeito, um petisco rápido fica barato e conveniente, um jantar completo pesa um pouco no bolso, mas o custo-benefício está aprovado.

Botecada top na calçada

Sendo um boteco recém-aberto mais ou menos, cheguei bem cedo também para ficar de boas tomando uma e olhando a rua pra esperar a galera, mas já estava lotado às 18h. Diz que tá bombando o dia inteiro, que eles abrem do almoço até de noite (se ligue que por causa disso eles fecham 22h, e mandam a turma embora mesmo). Mas tem uma certa rotatividade, então não é impeditivo de ir. A turma foi chegando de conta-gotas, e já íamos repetindo as melhores porções que foram solicitadas desde o início. As porções vinham em velocidades variadas, às vezes rápido, às vezes demorado; o chopp normalmente vinha rápido, mas foi esquecido mais de uma vez. O Boi compareceu novamente ao nosso encontro, presença agradável, conhece os Instagrã e reconheceu um influencer (acho que era Primo o tag dele) filmando pra botar no Insta, se você procurar o vídeo dele no consulado central você vê o Boi no canto no último segundo. E é isso, clima bom, papo bom, boteco tradicional, a parte boa da vida. Pena que 22h já ocorre a expulsão de volta à vida real, mas o tempo que estamos lá é um tempo muito bem investido, saúde mental bombando em detrimento da hepática.

sábado, 9 de maio de 2026

#303 – PL Bar / Red Light – 26/03/2026

Presentes: Adriano, Bráulio, Cabeça, Cid, Pedro-san
Sugestão: Adolfo
Quando lá, comer: burguer né

O PL Bar fica ao lado do Red Light Bar, no Alto da XV, Padre Germano Mayer, perto daquele terminal de ônibus estranho que não é bem um terminal, onde a linha do trem cruza a rua. Pra chegar lá, vai pela Souza Naves (que é a continuação da Nilo Cairo que é a continuação da André de Barros que é a continuação da Dr Pedrosa que é a continuação da Av Batel que é continuação...) até a Germano Mayer na altura da Igreja do Cristo Rei e vira à esquerda, duas quadra pra frente tem um bar de luz vermelha que parece uma zona, você passou. É logo antes, a casa obscura. Automaticamente você achou o Red Light. Busão ali tem alguns amarelo que passam pela Marechal Deodoro, mas dá pra ir de vermeio até a estação tubo Viaduto do Capanema e andar umas poucas quadras até o bar.

Piscou, perdeu
Esse é mais fácil de achar

O PL Bar é um clássico da boemia curitibana, e é um tanto peculiar. Não tem assim uma placa, tem uma faixa que às vezes tá lá às vezes não, e é tudo escuro, parece uma caverna, então se você não for direcionado para o local exato é fácil de perder. “Rústico” talvez seja uma palavra para caracterizar o muquifo, mas tem um tanto de “gótico” pela escuridão. “Aconchegante” teve gente que falou, eu discordo, sou mais de lugar ensolarado e aberto. Mas certamente dá certo para jóvis, que povoam o lugar com frequência em números consideráveis, fica um aspecto de bar universitário. Tem bastantes... objetos lá, tudo meio jogado assim, mas passa um ar de estar organizado. Além das mesas, sofás e cadeiras aqui e ali, mesa de pebolim sempre vazia, um videogame multijogos em TVzinha de tubo (gen Z não pode dizer que é nostálgico, nem tinham nascido!) e montanhas de cacarecos velhos em prateleiras e cristaleiras. Passa uma noção de dono acumulador, mas está tudo em seu lugar. Em dias de frio, a galera se amontoa dentro, em dias de calor, a galera se amontoa fora, ambiente concretado industrial onde há muitas plantas tipo jardim de vó (ou de bruxa). Sei lá, os jóvis nativos são fissurados no lugar, e segundo as redes sociais boa parte disso se deve ao dono Pedro Lauro, um veinho simpático que dizem que está sempre lá arrumando as coisas do “jeitinho dele” mas não estava nesta noite em que estivemos, quem sabe ele ajudasse a trazer um charme pro lugar. Voltemeia entra um mendigo ou outro e sai, não sei o que fazem lá, deve ser uma dose. Os pedidos são no balcão, paga-se na hora, o lugar não tem comida, só birita, então tivemos que dar uma escapada para o Red Light que fica ao lado.

Entrada da caverna
Entretenimento
Bastante bagulho... mas tudo arrumado!
Casa do vô... bar do vô
Lá fora, mais aprazível (?)
Escuridão toma conta
Que estande de bebidas atraente...

O Red Light também é um tanto peculiar, mas menos. Facílimo de reconhecer pela luz vermelha, claro que parece uma zona, mas é um bar de jóvi mais convencional que poderia muito bem fazer parte da Trajano. Red light se refere ao Red Light District, rua de zoninhas de Amsterdã, o que é confirmado pelo “XXX” na parede do bar, que é a bandeira da cidade e se refere às famosas proteções contra enchentes (tá na minha memória isso aí, é verdade? Se eu pesquisar perde a graça) e tem uma bicicleta de enfeite. Tem um ambiente interno vaziozão com algumas mesas e uns tambores na calçada pra galera apoiar o cotovelo, e apesar de ter grande área vermeia (parece que você tá usando aqueles óculos 3D de celofane das antiga), tem um espaço de luz branca pra descansar os olhos. Tem uma puta JBL das grande na frente, roque brasileiro, Cazuza, Raimundos, Raulzito, Mamonas, Blitz, legal. Também se pede no balcão e tem comida, tornando-se um refúgio para quem tá com fome no PL. Eles dão um pager pra dizer que o pedido está pronto, mas eu não testei beber no PL esperando pedido no Red Light, não sei se alcança.

 
A entrada da zoninha é onde fica o balcão
Lá pra dentro, assim
Cardápio na parede se você não quiser pegar o cardápio em papel plástico
Cardápio em papel plástico se você não quiser ver o da parede
Biritas

Os comes do Red Light se resumem a hambúrguer com fritas, e alguns salgados. Os burgers são bons, lembra do McDonald’s pelo pão, mas é mais bem feitinho. Batata frita boa, a batata trufada não vale a pena, o sabor é mais alho queimado que trufado. Pastel de queijo top, recheio considerável. Dadinho de tapioca ruim, meio mole desmanchando sei lá. De bebidas, cheque mate caseiro, jeque couque. Caipirinha demasiadamente doce. Chopp. Bebidas satisfatórias, nada mais. No PL, como é pra ser, somente beras comuns e biritas de boteco bem fulêras, batidas de garrafa de prástico por cincão, cynar a 8, barato barato, mais uma atratividade para os jóvis. Paga-se tudo no balcão, como dito anteriormente. Preço do Red Light OK, certamente não seria um impeditivo para retornar ao estabelecimento.
 
Meu povo na biritage
Meu povo afogando a fome

PL é um bar que já dá pra dizer que é tradicional, mas não é assim atraente de fora – mas com rumores do Pedro Lauro se aposentar, tivemos que cumprir nossa missão botecal. Quase todo o povo meu povo que foi passou reto o PL, ele realmente não se destaca, ainda mais perto das luzes vermelhas. Começamos com um Cynar aperitivo no PL. Nerd rooteza escolheu tetris dentre os mil jogos no Nintendo. Homem simpático cinquentão nos atendeu inicialmente, explicou que não tinha comida, que tinha tido música ao vivo no dia anterior pela primeira vez em 17 anos (ufa, passamos perto de sofrer), mostrou as variedades do bar. Mas como eu e Bráulio estávamos com fome, começamos efetivamente o rolê no Red Light. A demora do pedido é proporcional à fome, quanto mais fome mais demora. Confrades foram chegando e se juntando à mesa vermelha do bar vermelho, e em satisfazendo nossos estômagos, seguimos ao PL só tomar umas. No segundo tempo, quem nos atendeu no PL foi um cidadão de meia idade barbudo de cabelo meio loiro que não era o PL, demasiado jovem, alto, quieto, mal vestido e mal-humorado. Você citava a bebida e ele servia (não pedia, só citava – cuidado com a boca). Tudo escuro, no calor todo mundo lá fora tava agradável. Música não se decide, vários estilos, roque, techno, silêncio. Frequentado por jovens, de vez em quando um morador de rua entrava e saía, lugarzinho diferente. Só faltou o encontro com o PL para captar o carisma do estabelecimento. Claro que fomos embora ainda com bastante gente no boteco, a altas horas.

domingo, 26 de abril de 2026

#302 – Bier Kraft – 12/03/2026

Presentes: Adolfo, Bráulio, Cabeça, Cid
Sugestão: Bráulio
Quando lá, comer: empanada

O Bier Kraft fica na República Argentina, descendo da Praça do Japão duas quadras depois, do lado direito, passando a Iguaçu. É uma das lojinhas que ficam numa área comercial no térreo de um prédio residencial, algo comum no centro / rápidas no entorno da canaleta do expresso. O jeito mais fácil de chegar lá é pegar a Iguaçu e chegando na Repúbica Argentina virar à esquerda, fica logo ali e de noite certamente tem vagas. Mas como sempre, a recomendação é pegar o vermeião, estação tubo Silva Jardim. Moleza.

Estabelecimento comercial

O Bier Kraft é uma loja de cerveja disfarçada de bar, modalidade moderna relativamente frequente na capital curitibana. Não é muito grande, e nem precisa ser, para o público refinado familiar que atende o estabelecimento. Ambiente elegante e confortável, boa iluminação, bandeiras com as marcas de cervejas da modinha sem parecer poluído demais. E claro, geladeiras e bancadas com grande variedade de cervejas artesanais, se for pra tomar uma Skol nem gaste seu tempo. O bar conta com um salão interno com a loja, um sofazão único que acomoda 4 mesas pequenas, e uma mesa alta comunitária em que você obrigatoriamente acaba batendo papo os nativos – já fiz isso em momentos de espera, e apesar de não ser um boteco de villa, é uma excelente e autêntica experiência botecária brasileira, recomendada a todos os jovens que atingem a maturidade. Do lado externo, o conjunto comercial de lojinhas fornece muito convenientemente um teto na calçada, sob o qual você pode botecar tranquilo sem precisar dar atenção a intempéries. Visto que o boteco não acomoda tantas pessoas, o tratamento é personalizado. Comidas demoram bastante, mas relaxe e peça mais um chopp que esse eles servem na hora.

Clima receptivo no salão
Olhando pra fora, esperando o chope
Marquise xperta
Aí os comes
Torneiras do dia
Pra quem não vai no chopp (ótima seleção)
Pra levar pra casa

Da minha lembrança, no passado a loja de cerveja servia somente bebidas, com quintas-feiras gastronômicas em que serviam um prato ou chamavam um food truck (que sorte, quintas-feiras, o melhor dia para botecar). Mas pelo que entendi em nossa visita, agora tem um cardápio de frituras básicas que servem sempre, mais algo produzido somente quinta e sexta, no caso carne de onça. O público deve ter clamado por refeições, e devem ter feito desta forma para facilitar a produção dos comes - não está errado, depende do propósito do bar. Então mandamos ver no que tinha. As empanadas são a sugestão dos confrades, peça conforme seu gosto – gostamos bastante de gorgonzola, claro, frango e caprese. Demais porções ali, finger foods... pode ser que você tenha sorte, mas eu achei bem ruim, salgadinhos ruins, bolinho de bacalhau horrível. Até a polenta frita é meia boca, era o stick de queijo? Lembro de palitos ruins. Sendo quinta-feira tinha carne de onça, mandamos ver mas era com cebola roxa, e tinha mais cebola que carne, então foi complicado de terminar.

Claro que o foco são os chopes, e são de ótima qualidade, coisa premium. Acho que é coisa de apreciador, ou está ligado ao gosto do dono, mas achei que podiam ter maior variedade de chopes, era meio que tudo IPA. Tá bom, tinha uma Stout e uma Lager ali pra variar, mas podia ter Weiss, Sour, Red Ale. Pilsen e APA eu não ligo, haha, é o mesmo esquema de gosto. Enfim, para quem não é de chopp, foram espertos: colocaram uma pequena seleção de uísques, rum e tequila também premium, num cantinho. E o que é mais premium no lugar... o preço. Claro, com os chopes belgas caprichados que servem, o preço é em euros mais frete. Se for pra uma noitada e não um chopinho rápido, esteja preparado.

Cabou que só tirei essa da galera da mesa

A gente queria de verdade era sentar no sofazão, cinco peão tomando chope na loxinha, mas tinha um casal sentado bem no meio ocupando o lugar inteiro. Depois chegaram mais gentes que eles estavam esperando, vá lá, mas ficamos na inveja. Gente também espalhada na mesa principal. Tivemos que sentar nas pequenas mesas externas, apesar do clima bom, cadeira alta na calçada irregular não fica confortável, a gente fica se revirando. Mas se o papo é bom, a botecada é boa. O dono é amigo do Bráulio, e mandou uma propaganda personalizada falando que estava abrindo um barril de Delirium Tremens para nós, coisa fina. Só que acabamos ficando com opções limitadas de bebidas – que coragem que você vai ter de pedir um chopp de 70 pila numa botecada com os amigos, em que a conta é dividida? Tem que ser bem cara de pau, que nem o Cabelo (vibes clássicas do Varanda). Meio que demos um jeito de dividir uns chopes caprichados entre todos, e o dono foi gente boa e fez umas promoções pra nós, tipo 3 empanadas e 3 chopes por um preço mais acessível, mas ficamos meio pendurados na Lager, aí perde um pouco a graça.

Então... é isso. Se você é um véio burguês amante de chopp, excelente lugar para você conhecer seus peers na cidade, virar um nativo autêntico da loja. Senão, a recomendação é dar uma passadinha ali depois do trabalho, tomar um chopinho e trocar uma ideia, e depois seguir a um restaurante ou boteco para jantar.

sábado, 18 de abril de 2026

#301 – Bar do Pilim – 26/02/2026

Presentes: Adolfo, Adriano, Bráulio, Cabeça, Cid
Sugestão: Adolfo
Quando lá, comer: bolinho de gorgonzola

O Bar do Pilim é facilmente acessível, fica na Brigadeiro Franco logo após a esquina com Saldanha Marinho, vizinho do Chinchu e Botanique/Negrita. Estaciona na frente após 20h, mas costuma ficar cheio na região por causa da proximidade da Prudente de Morais, atual inferninho badalado de barzinho da cidade. Curitibanos estão tendo um gosto de como são algumas regiões de São Paulo e Rio de Janeiro, em que você cruza bairros inteiros sem uma puta vaga pra estacionar. Isto é só mais um motivo para você usar o maravilhoso sistema de transporte público de Curitiba, charmosas estações tubo, descendo na muito prática estação ahn... Visconde de Nácar e andando em sentido contrário na Saldanha Marinho para chegar ao boteco.

Com certeza tu já passou ali...

O Bar do Pilim é bastante amplo, fica numa casa que parece tombada (mas em pé) com um espaço aberto na lateral, uma cobertura tipo teto de prástico no fundo. São dois ambientes principais, um do larguíssimo balcão de fórmica para os bebedores solteiros solitários se sentirem ainda mais solitários, e um pátio com mesas espalhadas na lateral com uma luz amarelada que após passar várias vezes na frente, torna-se característica do lugar e traz um certo aconchego. O aconchego é bem-vindo, porque as paredes são num estilo industrial de concreto armado exposto que traria até um ar de desleixo se você não soubesse que é de propósito. Na frente tem um corredor de mesas singulares limitadas por uma grade, e tem uma saleta meio claustrofóbica no fundo com uma mesa de sinuca. O lugar é bem legal de ficar, música boa tipo grunge e roque anos 90 e 80, pops inocentes, volume um pouco alto mas damos desconto porque é boa. O boteco tava vazio (como é de costume) e os atendentes vêm rápido, jovens simpáticos atenciosos (falei que nem véio agora). A comida demora normal, nem pouco nem muito, drinks vêm rápido.

As mesas que você vê da rua
O balcão e seus clientes solitários
Acesso lateral ao balcão
O ambiente lateral
Mesa de sinuca mocadinha no fundo
Cardápio em página única dupla

O cardápio do boteco é bem interessante, não chega a ter uma variedade espetacular mas é muito mais que o suficiente para o objetivo de botecar: somente porções, beras e drinks. Dentre as porções, destaque para o marvadíssimo bolinho de mussarela recheado com gorgonzola (sempre escreverei mussarela com 2 “s”, o certo é errado). Frango com geléia de pimenta muito top. Carne de onça bem boa. Bolinhos de carne e costela – as porções de bolinho são bem boas mas pequenas, algumas tivemos que pedir de duas. Torresmo OK. Não tinha língua, sofri – pedimos moela na cerveja preta e não gostei muito do molho, melhor seria de tomate. Batata boa. De biritas, chopp Brahma, cervejas clássicas. Cachaças Bassi, excelente escolha, acessível, nativo do Paraná e de ótima qualidade, ao contrário do Bacco horroroso que domina o mercado (opinião própria impessoal). A carta de drinks é extremamente atraente, misturas criativas, ingredientes locais, irreverente, coisa de criador de drink estudado. Chato é que quando você pede... não vou dizer que os drinks são ruins ou mal executados, mas é tudo amarelo e azedo. Necessário equilibrar um pouco mais os ingredientes, talvez? Colocar mais xarope simples, potencializar ingredientes amargos? Sei lá, eu só sou bebedor profissional, não sei direito fazer. Preço é bom! Claro, porções pequenas acumulam o preço, mas pra região tá top.

A galera no gás... ainda bem que ninguém fuma

Pegamos estrategicamente a mesa ali na borda do teto de prástico, tu foge do sereno, condições ideais de botecagem, um vento mei forte trazendo chuva de madrugada (essa era a esperança...). Porra, puta lugar agradável, bons comes e bebes, e o que chama mais a atenção é o lugar estar sempre vazio quando você olha da rua, nota bem baixa no Google Maps, não faz sentido. Talvez durante o almoço o lugar se sustenta? Mas aí o Adriano trouxe uma informação extra: quando você olha os comentários, a turma fala que presenciou mais de uma vez o dono maltratando os funcionários. Então parece que é um tipo de boicote a chefe ruim, quem não se identificaria? Mais pro final da noitada, a música excelente supracitada se converteu a um sertanejo universitário lazarento de horrível, já estava num horário um pouco avançado, então aproveitamos pra nos mandar logo. Já que fomos os grandes patrocinadores da noite, os atendentes nos serviram uma saideira de cachaça infusionada, aplausos pra eles, fomos muito bem tratados. Quando perguntamos por que a música tinha piorado tanto de repente, eles falaram que no fim da noite o chefe sai de onde está (faculdade sei lá) e costuma dar uma espiada no bar, e que ele exige que esteja tocando música ruim porque “é um bar de samba”.
Então tivemos uma história pra contar no blog. Nossa experiência foi ótima, coincidiu com um período que o dono do bar não estava presente, mas o que vale foi o que presenciamos, e aprovamos a botecada.