sábado, 25 de julho de 2026

#306 - Cadillac Pub - 07/05/2026

Presentes: Adolfo, Cabeça
Sugestão: Cid
Quando lá, comer: linguiça artesanal

O Cadillac fica no... Bom Retiro ali? Na Hugo Simas, bem destacada no meio da rua a localização do bar, pertinho do Bosque Alemão. A Hugo Simas é a que liga o centro ao Parque Tingui, falando de maneira grosseira. Partindo do Museu do Olho, atrás do Palácio Iguaçu, você desce na rotatória do Confúcio, passa a Igreja Redonda, sobe e desce a Carlos Pioli, no final tem a Havan do lado direito, ali é a Hugo Simas, vira à direita. Tem um subidão e um descidão, e no final do descidão tem um módulo policial e um monumento de arte chifrudo, junto de uma pracinha. O bar é essencialmente unido à pracinha, as mesas só ficam separadas por uma gradezinha na altura da cintura. O Interbairros I é o busão mais adequado pra chegar ali, mas meio que tem que dar uma caminhada da Teffé ainda. Pode ser uma jogada você tomar uma ali quando estiver dando banda de linha Turismo, ao descer no Bosque Alemão...

Noite na praça

O Cadillac é um daqueles boteco de fim de semana à tarde, com áreas abertas agradáveis, e certamente é o período que o lugar mais bomba. Foi montado dentro de uma casa antiga, pintada de azul e rosa calcinhas para evocar as arquiteturas de Miami Beach. O ambiente mais legal mesmo é no cercadinho, que fica lotado e transborda de gente pra praça nos dias de sol. Lá dentro também é joinha, os vários ambientes da casa ainda estão separados por pilares e paredes, mas acaba que fica mais aconchegante à noite, formando pequenos ambientes para o seu grupo de botecagem. Roque bom na caixa, decoração simples, uns quadros aqui e ali com bandas e carros, combinando com o estilo do estabelecimento. Teve um período que tinha música ao vivo com frequência, mas a a dona Luciana (era?) falou que agora baixaram bastante a frequência, ainda bem. Um dos quartos é ocupado por uma mesa de sinuca, sempre ocupada quando há movimento no bar. Lá atrás tem um corredor com uma churrasqueira, que Luciana libera para quem quiser usar. Negócio familiar, a Luciana emprega a filha Vitória para tocar o estabelecimento pelo menos nas noites mais tranquilas durante a semana, e a Vitória é uma fofa, trata a gente super bem. A comida demora um pouco, mas acho que depende do dia, que como o movimento varia muito eles devem ter atendentes diferentes em períodos diferentes.

Lá fora num dia vazio
Lá dentro num dia vazio, porra Cabeça, tudo foto em pé, virou Instagrammer
Mais um quarto lá dentro, cê vê que é tudo meio parecido
Sinuca
Bar, cadê as pessoas nessas fotos
Comes
Bebes

O cardápio de comes do Cadillac é balanceado, não inventam muita gastronomia caprichada mas a variedade cumpre o papel e as porções são bem-feitas. Destaque para a linguiça artesanal no dia oficial da botecada. Também gostei bastante da porção de tilápia. Porção de pastelzinho e fritas com bacon, nada deixou a desejar. Burgers decentes. Cervejas convencionais, chopp Amstel, Campari. Pequena variedade de drinks, não chamam muito a atenção. Caipirinha boa! De forma geral, qualidade bem atraente para os insumos de boteco, com preço na média do que encontramos por aí.

Bromance

Conforme citado, é um bar de se ficar fora lagarteando num sábado à tarde de calor, o que significa que em dia de semana fica mais tranquilo, ao menos mais perto do inverno. No dia da botecada o coro estava bem baixo, era o Cabeça e o Adolfo só, e falaram que estava consideravelmente movimentado mais para o final da noite. A mesa de sinuca era por horário, então até tiveram que interromper a partida para passar o bastão (ui). A comida meio que vem do além, não enxergamos cozinha, no dia até tinha um food truck mas não era dali que a comida sai não. Fui visitar num outro dia devido às impressões boas do pessoal, e estava frio e totalmente vazio, várias porções faltando inclusive, então escolha o dia certo pra ir. Mesmo assim, pelo clima, pela música, pelo atendimento, a impressão que ficou foi boa, então recomendamos bem o boteco prum encontro com a galera.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

#305 – Gafieira – 23/04/2026

Presentes: Adolfo, Bráulio, Cabeça, Cid, Pedro-san, Tanaka
Sugestão: Adolfo
Quando lá, comer: bolinho de carne

O Gafieira fica numa das vias principais do Boqueirão, Coronel Luiz José dos Santos. Pra chegar lá tu pode ir pela Marechal Floriano e virar à direita logo depois do Black Burger que é o estabelecimento peculiar hexagonal, na ruela que não parece principal por causa do riozinho mas vira principal depois dumas 4 quadras, aí roda bem umas 10 quadras, cuida pra não virar à esquerda na Cascavel pela pista da esquerda, e logo depois da igreja fica na esquina do lado esquerdo. A outra via de acesso ao Boqueirão é a Derosso, passando a Baggio você vira à esquerda no posto Ipiranga, e vai bem umas 10 quadras também. Porra, o bar é equidistante das vias de acesso, é meio desgraçado demais pra andar do Terminal do Carmo. Se quiser baldear no Terminal do Portão e pegar o busão alimentador Terminal Hauer, para na frente. Senão te vira, pega um Uber ou arruma um motorista da rodada. Tem estacionamento, mas não use se for beber.

Parada obrigatória nesta esquina

O Gafieira é do mesmo dono do Jeremias, que está em plena expansão pela cidade, marcando presença no quinto ponto cardeal, o Boqueirão, e agora na Almirante Tamandaré (a rua, não o município) e até em Londrina. Aí quem foi no Jeremias vai reconhecer prontamente o estilo do estabelecimento e a caipirinha no pote. Lugar abertão e amplo, teto de metal, todo envidraçado, iluminadão, o estilo é legal. Mesmo a fonte do letreiro meio torta de propósito é a mesma, já dá pra desconfiar que vem da mesma fonte. O Gafieira conta com um mega salão “meio” dividido pela curva da esquina, mais um conjunto de mesas próximas ao balcão em um nível elevado, mas no fim das contas tudo faz parte do mesmo espaço. Nos fundos tem um conjunto de mesas ao relento, possivelmente pra quem queira fumar. No nosso caso, este espaço foi providencial, porque no salão tava rolando um sertanejo universitário do mais desgraçado possível em alto volume e quisemos fugir. Chato que estava uma friaca medonha, mas priorizamos o bem-estar auditivo ao conforto térmico, ainda que desse pra ouvir lá no fundo aquele som pentelho. De brinde, ganhamos um garção cativo que sofreu conosco no frio, mas meio que não adiantou: a comida demorava bastante, e a bebida dava a impressão que demorava mais ainda.

Vista de drone do salão principal
Dobrando a esquina
Subindo a escada... é meio tudo que o mesmo ambiente
Lá fora é outro ambiente
Porções
Mais porções
As famosas caipirinhas
Outros

O cardápio do Gafieira traz uma variedade legal de porções, mas a execução foi bastante aquém do desejável. Além da demora considerável, várias porções deram bem errado. Os pastéis vieram muito vazios, pouco recheio, e passaram do ponto na fritura, vieram marrons. Coração e calabresa bem ruins, esses faltaram fritar, fora do ponto, aquele gosto de gordura mal-assada/frita. Carne de qualidade inferior. Fritas aceitáveis. Torresmo estava OK. O que salvou foi a tilápia e o bolinho de carne, esses estavam bons, mas poxa. Dentre as biritas, a graça está nas caipirinhas variadas – limão siciliano foi a mais bem cotada. Mas o preço da caipirinha é pesado demais para uma birita feita com Velho Barreiro – um caso clássico de quantidade acima da qualidade, caipiras grandes a ponto de parte do pessoal parar logo na primeira e já migrar pras cervejas convencionais. No fim, o preço não compensou os pontos negativos.

Ambiente botecal saudável

Conforme dito, uma friaca do diabo naquela noite, e mesmo se a gente tivesse se submetido ao péssimo gosto musical do estabelecimento, teríamos sofrido porque o salão é amplo e todo envidraçado, a friaca permanece. Isto não é algo ruim para um dia de calor, mas era o dia errado. Ficamos lá atrás batendo papo, e conforme a turma foi chegando, foram passando fome até as comidas chegarem. E mesmo com tudo essas desgracêra negativa, o poder da socialização e boa vontade entre os homens traz alegria e satisfação. Muitas risadas, presença desejada do Tanaka que tem estado menos assíduo, mesa cheia de gente e besteira, o espírito da integração é coisa linda.

sábado, 6 de junho de 2026

#304 – Consulado Central – 09/04/2026

Presentes: Adolfo, Bráulio, Cabeça, Cid, Pedro-san
Sugestão: Cid
Quando lá, comer: bolovo de codorna

O Consulado Central é central sim, o nome não mente! Fica ao lado do Stuart e na frente do Maneko, vizinho à Praça Osório. Lugar muito espertamente escolhido pois os rumores de reabertura do Stuart corriam há anos, e sendo um bar historicamente muito disputado, a turma pode espirrar ali pro lado. Sendo ambos os três botecos no estilo tradicional, há forte tendência de termos um polo de boteco raiz no centro da cidade, cara, que perspectiva excelente para as próximas gerações (e antigas enquanto existirem). Bom, sendo centro, vá de busão, todos os busões convergem à Praça Rui Barbosa, facilidade tremenda.

Expectativa de um polo de boteco raiz na região...

O Consulado Central é do mesmo dono do Bar Otelo, bastante perto dali por sinal, e dá pra sentir realmente o mesmo clima de bar do Rio de Janeiro. Um dos garçons inclusive disse ser importado do Otelo. É bem pequeno, dá pra dizer que tem três ambientes no fim das contas: lá dentro, sob o toldo na calçada, e fora do toldo na calçada (ali é rua já). O ambiente interno é decorado no estilo antigo tradicional, cardápio na parede, fotografias antigas, parede de azulejo, caixas de cerveja, o próprio balcão, tudo parte de uma decoração harmônica. Debaixo do toldo acho que é o lugar mais top, visão interna e externa, facilidade de catar o garçom, grade com floreiras, agradável – só que a passagem é estreita e só cabe mesa pra 2 pessoas, então fomos jogados para fora (a mesa da rua), pois não havia mesa pra 5-6 nos outros ambientes. Apesar de ser complicado arrumar uma mesa, isso deixa o ambiente mais agradável que no Otelo, que como dissemos no post anterior fica barulhento demais, uma zona. Tomar uma na calçada olhando o movimento num dia de calor é bom demais. Enfim, apesar do tamanho reduzido ainda sofrem do mesmo mal do Otelo: atendentes até atendem OK, mas esquecem pedidos, às vezes vem rápido e às vezes demora, precisamos de procedimentos bem estabelecidos pessoal!

Botequim apertadim
Climão top lá fora
Bebes e Petiscos
Parte menos importante do cardápio
Dá pra escolher na parede do jeito antigo
Uma amostra do que há por vir

O cardápio do Consulado Central é um grande atrativo, assim como era no Otelo. Focamos nas porções, naturalmente; o número de opções é menor que no Otelo (pelo boteco ser menor certamente) mas não há perda de qualidade. O bolovo de codorna é sensacional, forte sugestão nossa. Pastel de queijo excelente. Caldinho de feijão bom. Isca de peixe, camarão bem bons, gostei mais do camarão frito que do atoladinho, dá a sensação de ser mais fresco. Acepipes e rollmops, fritas e aipim, não sou muito fã do aipim modelo “bolinho”, prefiro o natural. Carne de onça OK, podia ter um tempero mais caprichado, carne ser mais processada, dava a impressão que tinha saído do saco da geladeira pro pão. De beber, chope só tinha claro, escuro fez muita falta. Biritas de boteco bem tradicionais, nada um pouco mais diferente ou especial. Poucos drinks clássicos. Caipirinha de velho barreiro. Porções pequenas é daquele jeito, um petisco rápido fica barato e conveniente, um jantar completo pesa um pouco no bolso, mas o custo-benefício está aprovado.

Botecada top na calçada

Sendo um boteco recém-aberto mais ou menos, cheguei bem cedo também para ficar de boas tomando uma e olhando a rua pra esperar a galera, mas já estava lotado às 18h. Diz que tá bombando o dia inteiro, que eles abrem do almoço até de noite (se ligue que por causa disso eles fecham 22h, e mandam a turma embora mesmo). Mas tem uma certa rotatividade, então não é impeditivo de ir. A turma foi chegando de conta-gotas, e já íamos repetindo as melhores porções que foram solicitadas desde o início. As porções vinham em velocidades variadas, às vezes rápido, às vezes demorado; o chopp normalmente vinha rápido, mas foi esquecido mais de uma vez. O Boi compareceu novamente ao nosso encontro, presença agradável, conhece os Instagrã e reconheceu um influencer (acho que era Primo o tag dele) filmando pra botar no Insta, se você procurar o vídeo dele no consulado central você vê o Boi no canto no último segundo. E é isso, clima bom, papo bom, boteco tradicional, a parte boa da vida. Pena que 22h já ocorre a expulsão de volta à vida real, mas o tempo que estamos lá é um tempo muito bem investido, saúde mental bombando em detrimento da hepática.

sábado, 9 de maio de 2026

#303 – PL Bar / Red Light – 26/03/2026

Presentes: Adriano, Bráulio, Cabeça, Cid, Pedro-san
Sugestão: Adolfo
Quando lá, comer: burguer né

O PL Bar fica ao lado do Red Light Bar, no Alto da XV, Padre Germano Mayer, perto daquele terminal de ônibus estranho que não é bem um terminal, onde a linha do trem cruza a rua. Pra chegar lá, vai pela Souza Naves (que é a continuação da Nilo Cairo que é a continuação da André de Barros que é a continuação da Dr Pedrosa que é a continuação da Av Batel que é continuação...) até a Germano Mayer na altura da Igreja do Cristo Rei e vira à esquerda, duas quadra pra frente tem um bar de luz vermelha que parece uma zona, você passou. É logo antes, a casa obscura. Automaticamente você achou o Red Light. Busão ali tem alguns amarelo que passam pela Marechal Deodoro, mas dá pra ir de vermeio até a estação tubo Viaduto do Capanema e andar umas poucas quadras até o bar.

Piscou, perdeu
Esse é mais fácil de achar

O PL Bar é um clássico da boemia curitibana, e é um tanto peculiar. Não tem assim uma placa, tem uma faixa que às vezes tá lá às vezes não, e é tudo escuro, parece uma caverna, então se você não for direcionado para o local exato é fácil de perder. “Rústico” talvez seja uma palavra para caracterizar o muquifo, mas tem um tanto de “gótico” pela escuridão. “Aconchegante” teve gente que falou, eu discordo, sou mais de lugar ensolarado e aberto. Mas certamente dá certo para jóvis, que povoam o lugar com frequência em números consideráveis, fica um aspecto de bar universitário. Tem bastantes... objetos lá, tudo meio jogado assim, mas passa um ar de estar organizado. Além das mesas, sofás e cadeiras aqui e ali, mesa de pebolim sempre vazia, um videogame multijogos em TVzinha de tubo (gen Z não pode dizer que é nostálgico, nem tinham nascido!) e montanhas de cacarecos velhos em prateleiras e cristaleiras. Passa uma noção de dono acumulador, mas está tudo em seu lugar. Em dias de frio, a galera se amontoa dentro, em dias de calor, a galera se amontoa fora, ambiente concretado industrial onde há muitas plantas tipo jardim de vó (ou de bruxa). Sei lá, os jóvis nativos são fissurados no lugar, e segundo as redes sociais boa parte disso se deve ao dono Pedro Lauro, um veinho simpático que dizem que está sempre lá arrumando as coisas do “jeitinho dele” mas não estava nesta noite em que estivemos, quem sabe ele ajudasse a trazer um charme pro lugar. Voltemeia entra um mendigo ou outro e sai, não sei o que fazem lá, deve ser uma dose. Os pedidos são no balcão, paga-se na hora, o lugar não tem comida, só birita, então tivemos que dar uma escapada para o Red Light que fica ao lado.

Entrada da caverna
Entretenimento
Bastante bagulho... mas tudo arrumado!
Casa do vô... bar do vô
Lá fora, mais aprazível (?)
Escuridão toma conta
Que estande de bebidas atraente...

O Red Light também é um tanto peculiar, mas menos. Facílimo de reconhecer pela luz vermelha, claro que parece uma zona, mas é um bar de jóvi mais convencional que poderia muito bem fazer parte da Trajano. Red light se refere ao Red Light District, rua de zoninhas de Amsterdã, o que é confirmado pelo “XXX” na parede do bar, que é a bandeira da cidade e se refere às famosas proteções contra enchentes (tá na minha memória isso aí, é verdade? Se eu pesquisar perde a graça) e tem uma bicicleta de enfeite. Tem um ambiente interno vaziozão com algumas mesas e uns tambores na calçada pra galera apoiar o cotovelo, e apesar de ter grande área vermeia (parece que você tá usando aqueles óculos 3D de celofane das antiga), tem um espaço de luz branca pra descansar os olhos. Tem uma puta JBL das grande na frente, roque brasileiro, Cazuza, Raimundos, Raulzito, Mamonas, Blitz, legal. Também se pede no balcão e tem comida, tornando-se um refúgio para quem tá com fome no PL. Eles dão um pager pra dizer que o pedido está pronto, mas eu não testei beber no PL esperando pedido no Red Light, não sei se alcança.

 
A entrada da zoninha é onde fica o balcão
Lá pra dentro, assim
Cardápio na parede se você não quiser pegar o cardápio em papel plástico
Cardápio em papel plástico se você não quiser ver o da parede
Biritas

Os comes do Red Light se resumem a hambúrguer com fritas, e alguns salgados. Os burgers são bons, lembra do McDonald’s pelo pão, mas é mais bem feitinho. Batata frita boa, a batata trufada não vale a pena, o sabor é mais alho queimado que trufado. Pastel de queijo top, recheio considerável. Dadinho de tapioca ruim, meio mole desmanchando sei lá. De bebidas, cheque mate caseiro, jeque couque. Caipirinha demasiadamente doce. Chopp. Bebidas satisfatórias, nada mais. No PL, como é pra ser, somente beras comuns e biritas de boteco bem fulêras, batidas de garrafa de prástico por cincão, cynar a 8, barato barato, mais uma atratividade para os jóvis. Paga-se tudo no balcão, como dito anteriormente. Preço do Red Light OK, certamente não seria um impeditivo para retornar ao estabelecimento.
 
Meu povo na biritage
Meu povo afogando a fome

PL é um bar que já dá pra dizer que é tradicional, mas não é assim atraente de fora – mas com rumores do Pedro Lauro se aposentar, tivemos que cumprir nossa missão botecal. Quase todo o povo meu povo que foi passou reto o PL, ele realmente não se destaca, ainda mais perto das luzes vermelhas. Começamos com um Cynar aperitivo no PL. Nerd rooteza escolheu tetris dentre os mil jogos no Nintendo. Homem simpático cinquentão nos atendeu inicialmente, explicou que não tinha comida, que tinha tido música ao vivo no dia anterior pela primeira vez em 17 anos (ufa, passamos perto de sofrer), mostrou as variedades do bar. Mas como eu e Bráulio estávamos com fome, começamos efetivamente o rolê no Red Light. A demora do pedido é proporcional à fome, quanto mais fome mais demora. Confrades foram chegando e se juntando à mesa vermelha do bar vermelho, e em satisfazendo nossos estômagos, seguimos ao PL só tomar umas. No segundo tempo, quem nos atendeu no PL foi um cidadão de meia idade barbudo de cabelo meio loiro que não era o PL, demasiado jovem, alto, quieto, mal vestido e mal-humorado. Você citava a bebida e ele servia (não pedia, só citava – cuidado com a boca). Tudo escuro, no calor todo mundo lá fora tava agradável. Música não se decide, vários estilos, roque, techno, silêncio. Frequentado por jovens, de vez em quando um morador de rua entrava e saía, lugarzinho diferente. Só faltou o encontro com o PL para captar o carisma do estabelecimento. Claro que fomos embora ainda com bastante gente no boteco, a altas horas.

domingo, 26 de abril de 2026

#302 – Bier Kraft – 12/03/2026

Presentes: Adolfo, Bráulio, Cabeça, Cid
Sugestão: Bráulio
Quando lá, comer: empanada

O Bier Kraft fica na República Argentina, descendo da Praça do Japão duas quadras depois, do lado direito, passando a Iguaçu. É uma das lojinhas que ficam numa área comercial no térreo de um prédio residencial, algo comum no centro / rápidas no entorno da canaleta do expresso. O jeito mais fácil de chegar lá é pegar a Iguaçu e chegando na Repúbica Argentina virar à esquerda, fica logo ali e de noite certamente tem vagas. Mas como sempre, a recomendação é pegar o vermeião, estação tubo Silva Jardim. Moleza.

Estabelecimento comercial

O Bier Kraft é uma loja de cerveja disfarçada de bar, modalidade moderna relativamente frequente na capital curitibana. Não é muito grande, e nem precisa ser, para o público refinado familiar que atende o estabelecimento. Ambiente elegante e confortável, boa iluminação, bandeiras com as marcas de cervejas da modinha sem parecer poluído demais. E claro, geladeiras e bancadas com grande variedade de cervejas artesanais, se for pra tomar uma Skol nem gaste seu tempo. O bar conta com um salão interno com a loja, um sofazão único que acomoda 4 mesas pequenas, e uma mesa alta comunitária em que você obrigatoriamente acaba batendo papo os nativos – já fiz isso em momentos de espera, e apesar de não ser um boteco de villa, é uma excelente e autêntica experiência botecária brasileira, recomendada a todos os jovens que atingem a maturidade. Do lado externo, o conjunto comercial de lojinhas fornece muito convenientemente um teto na calçada, sob o qual você pode botecar tranquilo sem precisar dar atenção a intempéries. Visto que o boteco não acomoda tantas pessoas, o tratamento é personalizado. Comidas demoram bastante, mas relaxe e peça mais um chopp que esse eles servem na hora.

Clima receptivo no salão
Olhando pra fora, esperando o chope
Marquise xperta
Aí os comes
Torneiras do dia
Pra quem não vai no chopp (ótima seleção)
Pra levar pra casa

Da minha lembrança, no passado a loja de cerveja servia somente bebidas, com quintas-feiras gastronômicas em que serviam um prato ou chamavam um food truck (que sorte, quintas-feiras, o melhor dia para botecar). Mas pelo que entendi em nossa visita, agora tem um cardápio de frituras básicas que servem sempre, mais algo produzido somente quinta e sexta, no caso carne de onça. O público deve ter clamado por refeições, e devem ter feito desta forma para facilitar a produção dos comes - não está errado, depende do propósito do bar. Então mandamos ver no que tinha. As empanadas são a sugestão dos confrades, peça conforme seu gosto – gostamos bastante de gorgonzola, claro, frango e caprese. Demais porções ali, finger foods... pode ser que você tenha sorte, mas eu achei bem ruim, salgadinhos ruins, bolinho de bacalhau horrível. Até a polenta frita é meia boca, era o stick de queijo? Lembro de palitos ruins. Sendo quinta-feira tinha carne de onça, mandamos ver mas era com cebola roxa, e tinha mais cebola que carne, então foi complicado de terminar.

Claro que o foco são os chopes, e são de ótima qualidade, coisa premium. Acho que é coisa de apreciador, ou está ligado ao gosto do dono, mas achei que podiam ter maior variedade de chopes, era meio que tudo IPA. Tá bom, tinha uma Stout e uma Lager ali pra variar, mas podia ter Weiss, Sour, Red Ale. Pilsen e APA eu não ligo, haha, é o mesmo esquema de gosto. Enfim, para quem não é de chopp, foram espertos: colocaram uma pequena seleção de uísques, rum e tequila também premium, num cantinho. E o que é mais premium no lugar... o preço. Claro, com os chopes belgas caprichados que servem, o preço é em euros mais frete. Se for pra uma noitada e não um chopinho rápido, esteja preparado.

Cabou que só tirei essa da galera da mesa

A gente queria de verdade era sentar no sofazão, cinco peão tomando chope na loxinha, mas tinha um casal sentado bem no meio ocupando o lugar inteiro. Depois chegaram mais gentes que eles estavam esperando, vá lá, mas ficamos na inveja. Gente também espalhada na mesa principal. Tivemos que sentar nas pequenas mesas externas, apesar do clima bom, cadeira alta na calçada irregular não fica confortável, a gente fica se revirando. Mas se o papo é bom, a botecada é boa. O dono é amigo do Bráulio, e mandou uma propaganda personalizada falando que estava abrindo um barril de Delirium Tremens para nós, coisa fina. Só que acabamos ficando com opções limitadas de bebidas – que coragem que você vai ter de pedir um chopp de 70 pila numa botecada com os amigos, em que a conta é dividida? Tem que ser bem cara de pau, que nem o Cabelo (vibes clássicas do Varanda). Meio que demos um jeito de dividir uns chopes caprichados entre todos, e o dono foi gente boa e fez umas promoções pra nós, tipo 3 empanadas e 3 chopes por um preço mais acessível, mas ficamos meio pendurados na Lager, aí perde um pouco a graça.

Então... é isso. Se você é um véio burguês amante de chopp, excelente lugar para você conhecer seus peers na cidade, virar um nativo autêntico da loja. Senão, a recomendação é dar uma passadinha ali depois do trabalho, tomar um chopinho e trocar uma ideia, e depois seguir a um restaurante ou boteco para jantar.