domingo, 29 de março de 2026

#299 – Botequim do Véio – 29/01/2026

Presentes: Adolfo, Adriano, Cabeça, Cid
Sugestão: Cabeça
Quando lá, comer: bolinho de milho com gorgonzola

O Botequim do Véio fica no Água Verde, bem na curva em que a Avenida dos Estados vira a Rua Castro, na frente da pracinha dos escoteiros. Pra chegar lá acho que o caminho mais direto é a Ângelo Sampaio, que depois da Rua Chile vira Professor Luiz César, nome genérico, não é estranho que nunca decorei essa rua. Você pode ir até o final caindo na Avenida dos Estados, mas em ver de seguir o fluxo você vira à esquerda. Duas quadras depois o boteco está na esquina, não dá pra perder. De vermeião você pode descer na Dom Pedro I, mas aí é necessário resistir à tentação de visitar os 5 boteco da Avenida dos Estados que você atravessa antes de chegar à Castro (e são lugares bons hein).

É nóis fechando o boteco...

O Botequim do Véio é um lugar recentemente aberto (no momento deste post, que a partir de agora entra para a infinita história da internet, a ser absorvido e corrompido pela inteligência artificial). Não tem frescura, como um boteco deve ser, mas é bem ajeitadinho para ser agradável aos visitantes (iluminação sempre cumprindo seu papel). Mesas de MDF e cadeiras de metal, tudo simples, mas ambiente com toque de arquiteto. Na parede, um caminho de formigas, não vi correlação com nada específico. Música brasileira das boas, MPB, sambinha leve. Balcão de bar atraente e estufa de salgados. Mesinhas altas na calçada sob a marquise, e certamente mesas normais do lado de fora se não chove. Se chove, conte com um bar vazio, pelo menos durante a semana, o que aconteceu naquele dia. O véio é um cara jovem, contraintuitivamente, talvez pelos poucos cabelos grisalhos rodeando sua careca, e nos atendeu com bastante afinco depois de pendurarmos a gloriosa bandeira da confraria nas cadeiras. Mas não se preocupe, nossa avaliação é imparcial a elogios. OK, só a moça que nos atendeu parecia bastante mal-humorada, não precisamos que seja tudo sorriso mas gerou desconforto. Estávamos sozinhos no bar, então era esperado que as coisas não demorassem muito, e não demoraram muito, confirmando nossas expectativas.

Vista do salão interno com balcão
Caminho de formiga
As mesinhas do lado de fora, conforme a chuva permitiu
A tal vitrine de acepipes
Cachaças do dia, em mural vintage
Comes
Bebes

A comida do Botequim do Véio é o destaque, variedade top de comidarada de boteco. O bolinho de milho com gorgonzola é astro, bom para cacete. Língua boa, dobradinha (esta deu vontade mas não tive companhia para pedir). Cadin do Véio, linguiça, torresmo e mandioca, deusdocéu, que me desculpe o sistema digestivo. Pastel de angu e queijo estava interessante, mas angu e queijo não combinam muito, e a gordura já tinha passado do ponto, sentimos aquele peso na barriga. Tem uma estufa que chamam de vitrine de acepipes, claro que rolou um rollmops, mas com tanta porção interessante não nos atraiu recorrer às comidas requentadas. A galera quis o doce também, queijo com doce de mamão, tudo muito bom enfim. De biritas, cervejas convencionais e doses de cachaças interessantes em variedade limitada, mais alguns drinks também interessantes em variedade limitada, não podemos nos queixar. As porções são um pouco reduzidas em tamanho, então o preço dá uma amontoada no final da noite, mas abra sua carteira, invista no seu lazer.

 
Os clientes da noite

Como dito acima, dia de chuva, boteco vazio. Esperei um tanto até a primeira vítima chegar, o Cabeça, Adolfo chegou logo. Adriano demorou a chegar, só porque mora na casa do caralho, desculpe o palavreado mas tomar no cu, mora longe. Gostaria de ter mais companheiros(as) para comermos mais opções do cardápio, ou um estômago maior, mas acho que prefiro companheiros(as). Véio nos tratava bem mas a moça tinha cara fechada, parecia que estava nos atendendo por obrigação, certamente isso é verdade como em qualquer emprego a não ser que você seja o dono, mas sabe como funciona atendimento a cliente e tal. Bom, 22h15 levantam as cadeiras nas mesas e nos trazem a conta sem pedirmos, expulsão direta sem termos derrubado ninguém na área, tampouco cotovelada de Leonardo ou cabeçada de Zidane. Divisão da conta feita errada, vergonha de pegar calculadora pra fazer certo. Sei lá cara, entendo que éramos os únicos no bar, mas a gente não pretendia esticar, nos enxote com simpatia, não com voadora. No maps diz que fecha às 23h, mas não contem com isso. Então esta é a resenha. Quero voltar para experimentar o resto, mas vou com o pé atrás pelas poucas más lembranças proporcionadas.

quarta-feira, 25 de março de 2026

#298 – Bentevi – 15/01/2026

Presentes: Adolfo, Adriano, Cabeça
Melhor boteco de 2025
Post anterior (com cardáps e outras informações)

Bentevi. Aonde a Prudente de Morais faz a curva. No sentido figurativo, a Prudente não tem curva. Mas ali onde a muvuca não chega. Exceto nos fins de semana. Tá, tou falando muita merda aqui. Mas é dois toque da Martim Afonso e do ponto Brigadeiro Franco do vermeião, não perca.

Cabeça aparece nas fotos

2026, dia de confraria era 01/01 e todo mundo viajando. Galera, cadê a prioridade na botecagem? Só um caboco disponível para bar neste dia. Bom, o bar estaria fechado no dia 01 mesmo. Aí fomos obrigados a pular um encontro, mas jamais dispersar: nossa história continua.

 
Lá fora
Lá dentro 1
Lá dentro 2
Comes
Bebes

Os presentes relembraram o que fez este bar ser o top of mind do ano anterior: a comida. A ausência do glorioso bolovo deixou saudades, algo que acontece mais do que deveria, mas a adição do sanduíche de abacaxi e queijo coalho com vinagrete não decepcionou. Demais comidas, coxinha no panko, tiras de carne, a batata bem temperada, tudo lá. Drinks lá. Música lá. Sucesso sem erro, pança e ouvidos felizes.

Cabeça tira selfies

Como é costume, o ideal é acessar o post anterior clicando aqui ou aqui neste link para informações mais detalhadas. Mas quando você vai num boteco que é disparado o melhor avaliado do ano dentre 26 visitas, sabes que encontrarás algo diferenciado. Quem estava lá aprovou, por mais que tenha ido de bicicleta vindo de longe tomando uma tempestade na cabeça. Sacrifícios em prol da botecagem, o fígado nosso fiel escudeiro. Não percam tempo. Leiam o livro e visitem este bar.

sábado, 7 de março de 2026

#297 – Bar do Edinho – 18/12/2025

Presentes: Adolfo, Adriano, Bráulio, Cabeça, Cid, Pedro-San
Sugestão: Cid
Quando lá, comer: Caranguejo (ué)

O famoso Bar do Edinho fica no Guabirotuba, bairro que pode ser resumido pelo lado direito da Linha Verde na altura da PUC, aonde o Rio Belém faz a curva. Não sei muito bem me virar nesse bairro, eu diria que o melhor caminho é pegar a Marechal Floriano e quando passar a linha verde na altura do Shopping Cidade, virar à esquerda como se fosse ir pra Bodebrown. Mas aí passa reto a esquina da Bodebrown e vira à esquerda depois do Rio Belém, acompanhando o rio. Ali é meio feioso e escuro, mas tenha fé; quarta rua à direita se chama Paul Cezanne, um milagre invocar um pintor francês no meio de tanta rua pra político. Por ali você já deve estar vendo uma fila de carros estacionados, bom sinal. Estacione logo que em volta do bar é difícil ter espaço. No alto da subida, o bar na esquina. Também tem como ir da Avenida das Torres e virar à direita umas três ruas depois da Ponte Estaiada, ou pegar o amarelinho Guabirotuba que vem desde a Praça Rui Barbosa.

O oásis na escuridão do Guabirotuba

O Bar do Edinho é conhecido pela sua temporada de caranguejo, extremamente movimentada. Tem mais jeito de restaurante, é verdade, mas é bem... descolado, pra não dizer bagunçado, então meio que lembra um boteco sim. O local possui quatro ambientes grandes, eles deixam as mesas bem mocadas, deve ter umas 100. Na entrada a moça te direciona para uma mesa que pode ser lá dentro, perto da entrada, à esquerda e lá embaixo. Lá dentro, perto do balcão onde paga, é tenso porque o pé direito é muito baixo e é movimentado demais porque é ali que se paga a conta, então é estressante. Na entrada e à esquerda é parecido, meio apertada a passagem, ainda agitado mas pelo menos é mais iluminado. Lá embaixo é uma tenda, acho que é o melhor ambiente, porque o pé direito é bem alto, então o barulho não agride tanto, mas não é tão isolado da temperatura externa. O lugar é uma muvuca do cacete, gente gritando, criança tropeçando, garção correndo pra cima e pra baixo, seja esportivo. O atendimento é aleatório, tem dia que você pode ser muito bem atendido, tem dia que você se sente abandonado, role o dado com bônus do lugar que você sentou. Mas sem caranguejo você não vai ficar.

Na entrada é assim
À esquerda
Lá dentro. No fundo é o balcão. Meio insalubre esse aí
Lá embaixo, a tenda
O astro da noite
Cardápio (as porções eles mandam no zap quando você reserva)

O bar oferece um esquema preço fixo para a comida, sendo que às 19h começam a servir porções para ir forrando o pandulho. Camarão e tilápia fritos são as melhores porçõezinhas, que vêm em cumbuquinhas. Batata e polenta OK, pode ser que cheguem frios à mesa. Torresmo meio fraco, nem crocante nem quente, mas pelo menos não é duro nem baconzitos. Espetinhos de carne e frango meio sem graça. Macarrão com molho de camarão ruinzinho. Claro, a graça do lugar é o caranguejo, que servem às 20h, momento ritualístico em que os clientes batem o martelo de prástico na mesa em uníssono, pode levar até uns 10 min pra chegar à sua mesa dependendo da posição. O caranguejo é bem bom, tempero bom, mas quem já comeu sabe que não é uma refeição, é uma atividade. Para isso que servem as outras porções, para você não passar fome enquanto abre os caranguejos, dos quais sai pouca carne por vez (75g por caranguejo, segundo meu sogro). Sendo um consumidor médio, você deve consumir 3 ou 4 caranguejos, mais que 5 você é vencido pelo perrengue de ficar abrindo o bicho. Nesta visita a carne estava saindo fácil da criatura, achei que era algum tipo de técnica de cozimento, aproveitamos bastante. Acabei indo no mês seguinte e a dificuldade do garimpo já estava convencional, então a magia que criei na minha cabeça era uma farsa. OK, bebidas temos cervejas convencionais, doses simples com pouca variedade, e caipirinhas de Smirnoff, pode ser Absolut se você quiser se gabar para a cremosa. Ah, a dica é que se você for pedir uma coca, peça na garrafinha de vidro, se você não falar eles trazem lata que todos concordam que é muito pior. O preço é meio pesado, mas considerando que é caranguejo, damos um desconto (moral, não financeiro).

Armados

Eu e cabeça em discussão no Cataia inventamos essa de ir no bar do Edinho, e acabamos tendo que fazer uma votação antecipada no zap, porque no início da temporada tem fila de reserva de mais de uma semana no estabelecimento, reservamos dia 04 pra ir dia 18/12. Então fica a dica, não deixe de reservar. Fim de temporada aparentemente é mais sossegado, a galera vai enjoando imagino. Não chegue cedo demais, senão a barriga enche de porção que não interessa, nem muito tarde, que o rodízio termina às 23h (e para caranguejo isso não é demais). Bom, nós nos divertimos bem, não precisávamos nos preocupar em rosnar e esbravejar em meio à muvuca, e podíamos usar os martelos de arma branca como piás. Sentamos no cantinho lá embaixo, parecia que seríamos os últimos a receber mas eles servem cruzado e chegava primeiro para nós, sucesso. Tivemos o tradicional XI amigo secreto da confraria, para que não faltasse birita no natal. Achei que a galera comeu pouco, teve gente que enjoou do tempero, mas a maioria não teve paciência mesmo. As caipirinhas ficaram rolando até o final do expediente, contudo, final em termos porque quando a gente saiu ainda tinha 30% da capacidade do bar ocupada.
 
A montagem desgraçada de costume... Tudo calculado nesta, ninguém se pegou. Bráulio deu para Cabeça deu para Cid deu para Pedro-san deu para Adriano deu para Adolfo deu para Bráulio

Então é isso, se for para comer caranguejo o lugar é divertido, vale a pena. Mas vá preparado com energia e paciência. Energia pra aguentar a barulheira e a muvuca, e paciência para abrir os caranguejos e aguardar as porções, as que você não quer vêm direto, as que você quer demoram.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

#296 – Bar do Santista – 04/12/2025

Presentes: Adolfo, Bráulio, Cabeça, Cid
Sugestão: Cabeça
Quando lá, comer: Frango com alho

O Bar do Santista (em Curitiba) fica no Guaíra, vizinho do Portão além do Água Verde. O nome da rua é Paraíba, e sim, fica na região das ruas com nomes de estados, mas é pra lá da Avenida Kenny G, então o nome dá a impressão de ser mais perto do que é. Pra chegar lá, você vai pela rápida do Portão sentido portão e vira à esquerda depois do Ventura, e segue até o Palladium como de costume, mas em vez de virar à direita pra contornar o shopping e pegar a Santa Bernardethe, segue reto na Kenny G. Depois de uma quadra, tem uma rua que sai na diagonal à direita, é a Paraíba. Segue reto e a rua de cidade vai virando rua de villa, depois dumas seis quadras sai uma rua torta à esquerda na frente do que parece um canteiro, e o bar é ali mesmo – a partir das 10h é capaz de você já ver uns véio sentado na frente, dependendo do clima. Chato que o busão prali é meio lazarento, ou vai a pé do terminal do Portão que dá uns 15 min, ou pega um alimentador laranjão no terminal. Mas tu que é aventureiro(a), adora um boteco e tá de varde, pode gastar um tempinho a mais pra ir num bar raiz sem se preocupar com multas de trânsito ou xilindró. Ou a saída fácil, pega um Uber.

A frente do botecão de bairro

O Bar do Santista transborda botecalidade. Sensação de botecão de vila, quadros de futebol e tevê com futebol também, chão de lajota, lâmpada fluorescente. Tentaram padronizar as mesas de madeira e cadeiras de segunda mão da Rua Riachuelo, mas as cadeiras de prástico da Brahma são necessárias para suprir as vagas extras para o vizinho que não foi convidado, mas apareceu. Você pode escolher lá fora ou lá dentro, mas saiba que lá dentro a chance grande é de estar lotado com os clientes cativos do lugar, que pelo jeito não largam mão de reunir com frequência lá – tanto que uma das paredes é coberta com fotos e desenhos homenageando os aparentemente mais frequentes. A gente chegou às 19hpouco e o bar estava 100% lotado, e assim ficou até 22h, ninguém saía! Mas é compreensível – sabe quando você entra num lugar e sente a energia positiva de quem está em casa, batendo um papo animado sem se preocupar com a problemática da vida? Isso sim é a verdadeira essência do boteco brasileiro.

Tive até que pular uma linha depois dessa frase de efeito, pra não se perder num parágrafo tão grande. O cara mais agitado do bar é o dono, que atende por Vini e é identificável por uma camisa do Santos FC, que certamente usa todos os dias como uniforme. Ele fica correndo pra cima e pra baixo pra levar os comes e bebes em todas as mesas, e ainda troca umas frases com quem está sentado no balcão. Eu tenho a impressão que alguém que ajuda ele faltou naquele dia, era ele e a turma da cozinha que não sei se é só uma senhora ou mais alguém, mas era difícil arrumar uma audiência com ele pra pedir coisas. Ele é um cara baixinho e truncado, não muito sorridente, mas faz o possível para tratar todo mundo bem, mesmo forasteiros como nós. A comida demorou um tanto, mas não o suficiente para a gente achar que o pedido foi esquecido.

Climão de boteco de interior
Paredes homenageando os nativos, em versão carne e osso logo abaixo
Engravatados suspeitos
Nóis perdido lá fora
Cardápio não tem, mas as garrafas estão ali

Cardápio em boteco raiz é o cacete, você pergunta o que tem pra comer e está sujeito a escolher o que o dono lembra de falar que tem. Dentre as opções fornecidas, escolhemos o frango a passarinho com bastante alho, suculento e saboroso, ponto alto da noite. Fritas bem boas. Tinha acabado o torresmo, mas ao notar nosso desapontamento, Vini foi lá dentro e voltou com uma meia porção que arrumou na cozinha, firmeza ele. Torresmo bom, por sinal. Bolinho de alguma coisa que não lembro. Tilápia. De forma geral, a comida era de boa qualidade, acima da expectativa. De beber, cervejas convencionais e biritas de boteco em variedade limitada, fazem caipirinha – disponíveis os elementos essenciais para um boteco que se preze. Preço relativamente amigável.

Guerreiros da noite

Como citado acima, chegamos não muito tarde, mas o boteco estava lotadão de véios e assim ficou até de noitão. Não tivemos opção senão puxar uma mesa de prástico do lado de fora, não estava tão frio mas batia um vento desagradável. A expectativa era que alguém fosse embora pra gente assumir uma mesa mais confortável do lado de dentro, mas isso só aconteceu às 22h. Mas tudo bem, a gente se divertiu com nosso bate-papo e com a circulação dos nativos. Lá dentro tinha mesa que tava rolando até caranguejo, mas não parecia estar disponível aos plebeus – e o clima lá fora não estava propício ao trabalho de destrinchar um crustáceo. Tudo pra estarmos mal-humorados, mas o clima é animador. Fomos lá dentro quando os engravatados liberaram a mesa, e tomamos mais uma rodada para fechar a noite mas não o boteco.

Resumindo, botecão, ambiente raiz top, nativos véios e animados, recomendamos ir com temperatura agradável para não arriscar ficar no relento pegando friage. Se deseja conforto ou comidas gurmetizadas, escolha outro lugar, mas se está esportivo, com saudade da vila, uma ótima botecada.

sábado, 24 de janeiro de 2026

#295 – Cataia Bar – 20/11/2025

Presentes: Cabeça, Cid
Sugestão: Cabeça
Quando lá, comer: Peixe

O Cataia é bem fácil de achar, na Riachuelo, na esquina bem de frente com a Praça 19 de Dezembro, do homem nu. Do ladinho do Shopping Mueller e do Passeio Público, e fácil de andar da zona boêmia do São Francisco e Trajano Reis. Ali é uma confluência de busões, os amarelos param na frente do colégio ao lado do bar, o vermeio no Passeio Público, o cinza tem um tubo na frente do shopping, é ruim de estacionar, desista e adquira um cartão transporte - aceitam até débito nos tubos!

Esquina da Riachuelo

O Cataia é um bar alternativo para atrair os jóvis alternativos de 30 anos e por aí. O ambiente é simples, chão de lajota, mesa de madeira, paredes cheias de quadros e fotos, parece uma penteadeira. O ambiente do bar se divide em quatro: lá fora, mesas na calçada, frente para a praça, receita garantida para o sucesso em dias de calor; na entrada é o balcão, decorado com plantas, só dois bancos de “espera” de pedidos pra quem quer um teique-aut, mesmo assim agradável; uma sala intermediária com um brechó (sim, você leu/ouviu certo) e a porta do banheiro; e uma sala dos fundos com um palco que não dá pra chamar de palco porque ainda é o chão, mas a parede isolada denuncia. Antes de mais nada, a música é quartas e sábados, às vezes sextas, ótimas opções porque se fosse quinta a gente não conheceria o bar. Segundo, bar alternativo frequentemente é meio politizado, então tem umas bandeiras do sapo barbudo e de arco-íris nas paredes, mas se você liga pra isso você tá botecando errado. Terceiro, vou parar de elencar as coisas em algarismos ordinais e só continuar falando normal. Os pedidos são feitos no balcão como em boa parte dos bares da região, porque a ocupação das mesas pode ser meio fluida, aí tu acompanha o letreiro luminoso e pega sua comida/birita quando chamam, tem gente que não gosta porque dificulta a divisão da conta. No balcão ficam as plantas, e mais pra dentro botaram uma exposição de fotos caiçaras, em que o fotógrafo deu um rolê no mato ali em Superagüi e Guaraqueçaba e trouxe imagens dos pescadores e das ilhas, troço simpático. Tava uma noite meio fria, o bar ficou tranquilo e os comes não demoraram demais.

Lá fora, o movimento
Olhe que agradável, quase uma sala de estar
Cabeça olhando a exposição, olha o brechó ali no canto
A janela é um quadro da praça!
O "palco" ameaçador
Mas a sala do palco é legal sim
Comes
Bebes normais
Bebes autorais

O cardápio do Cataia também é simples, quatro sanduíches e meia dúzia de porções, mas ninguém precisa mais que isso numa cidade de tantas opções botecárias. Os sanduíches são basicamente pão d’água, vinagrete e uma carne, que pode ser bolinho de carne, frango ou peixe empanados, e carne de mentira pros vegetarianos. Pegamos carne e frango, estavam OK. Aipim, frango a passarinho, tilápia bons. Acho que gostamos mais da porção de peixe. Estávamos em poucos integrantes, então não rolou pedir muitas comidas. O cardápio de drinks é muito legal, os drinks são bem criativos e sempre tem um toque crioulo. Pena que é mais legal que gostoso – não é ruim, longe disso, mas é tudo meio azedão demais assim (só olhar os ingredientes), então o que a gente experimentou falhou em surpreender. Pra fugir do azedo, você toma um shot amargão ou uma caipirinha convencional, e tem chopes também. O preço é legal, acessível pra cada porção ou birita, mas se tiver com fome vai acumular e você vai pagar caro sim.

Tivemos que botar o pescador caiçara na mesa pra fazer coro... ele não fala muito

Estamos numa época de baixa moral, então só estava eu e o Cabeça no bar, escapulidos de uma primeira opção na prudente que tem sido impossível de botecar. Fizemos uma caminhada saudável até o Cataia, assumimos uma mesa no salão do meio e ficamos de boa ali, contemplando a exposição de fotos e a muito peculiar fauna local. Mesmo nós, botecários de meia idade com luque jovem e cabeça véia, somos espécimes muito estranhos naquele ambiente, controversamente mesclando muito bem nesse ambiente diverso. Mandamos ver algumas rodadas de comes e bebes em uma noite de bate-papo sossegado. O coro é baixo, mas o espírito do boteco persiste naqueles que fogem dos celulares para participar da vida real nas ruas da cidade.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

#294 – Elvis – 06/11/2025

Presentes: Adolfo, Bráulio, Cabeça, Cid, Pedro-san
Sugestão: Bráulio
Quando lá, comer: shawarma

O Elvis’s (Élvizes?) Bar e Restaurante, anteriormente Élvizes Restaurante e Lanchonete, fica no Cristo Rei, na região daqueles prédios de bacana que circundam o Jardim Botânico. A rua é São José, uma das principais da região, e pra chegar ali você vai pela Affonso Camargo que é a rua do expresso que passa na frente da rodoviária até o final. No final ela vira à esquerda no Hospital Marcelino Champagnat, mais conhecido como Hospital Cajuru, e vira a própria São José. Passando dois sinaleiros, o bar/restaurante/lanchonete fica do lado esquerdo. Ali é bem pertinho da estação tubo Hospital Cajuru, então é essa a dica de transporte do dia.

Quem sabe você já tenha passado na frente, no Cristo Rei

Olhando de fora, o Elvis é um lugarzinho atraente, e o ambiente é joinha mesmo. Contempla um deque envidraçado fumê que podia ser transparente – coisa de arquitetura dos anos noventa, como diz o letreiro, desde 1999. O deque tem mesas de madeira, uma TV pra passar o jornal na hora do almoço, uma parede “viva” com trepadeiras falsas, iluminação quente que é o xquema como costumo dizer sempre, lugar agradável pra ficar. O chato é que da metade pra dentro as luzes são frias, as paredes são de cimento e inox, e o buffet do almoço tá ali vazio, dá um aspecto desagradável. O balcão não tem nenhum atraente, salgados parecem antigos, e lá no fundão o Döner Kebab tá abandonadão lá, não parece sujo mas causa uma má impressão. Dizem que se você entrar na cozinha de uma lanchonete você nunca mais come lá - o aspecto se aproxima disso, mas considero que essa cozinha não chega a traumatizar quem já passou por muito boteco estranho. Quem atende é o Salem, um árabe que não fala muito português, mas faz um esforço para tratar bem os clientes, gostamos bastante do atendimento dele. O bar tava vazio no dia, então não esperamos muito pelos pedidos, mas era o Salem que fazia tudo sozinho, então pode ser que num dia mais concorrido demore bastante.

O deque do lado de dentro
Do outro lado, uns detalhes ali
Lá dentro é mais feio, mais comercial
Balcão de lanchonete
No fundo do corredor, vai saber há quanto tempo tá esses troço ali
Porções que não tinha
Xizes e shawarmas

Se você for de noite no Elvis, não preste muita atenção no cardápio, pergunte o que tem pra comer e beber, porque tinha bem pouca opção disponível, mesmo sendo um dia normal de outubro. Não tinha frango e peixe, de porções só carne e batata, isso que a carne nem tá no cardápio. Também tinha shawarma e hambúrgueres. Aí comemos o que estava disponível, e o Salem faz tudo com tempero árabe, o que é interessante de certa forma. A batata tem pimenta árabe, a carne é o recheio do shawarma, bem estilo sírio, mais tempero que carne, chega a ficar alaranjada. O tempero era bom, mas a carne de qualidade bem baixa, daquele espeto de Kebab da foto, muita gordura e desgraça, meio seco. Pedimos o shawarma, Salem fez com carinho, não é ruim, mas sofre pela qualidade da carne e é afundado em molho de alho, azia na certa. Bráulio experimentou o X-Salada, ruinzão, hambúrguer de baixa qualidade também. De bebidas, só cervejas convencionais, mas o Salem arrumou uma garrafa de Smirnoff pra fazer caipirinha pra nós, firmeza ele. Cabeça não teve dó e pediu umas três, mas ele parecia animado no trabalho. Pessoal tomou Estrella Galícia. Quiser tem coca-cola, ou uísque com energético sem uísque. O preço foi abaixo da média, assim como a qualidade.

Enfrentaram com bravura as intempéries

Chegamos meio tarde no Elvis, e o dono seu Edson estava do lado de fora bebendo. Chega aí, ele apresentou o ambiente do lugar, totalmente vazio. Pedi uma birita, ele falou destilado? Não tem! Peraí, acho que tem uma garrafa de vodka em algum lugar, neste momento apareceu o Salem sorrindo. Esse é o chefe, disse o Edson, e Salem disse que quem era o chefe era o Edson. Salem sumiu pra dentro do bar e voltou com a garrafa de Smirnoff pra salvar a noite. Nessa hora o Edson foi pra fora e seguiu bebendo, não mais voltando ao interior do bar, mesmo porque não chegou mais cliente nenhum. Confrades foram chegando e o Salem foi dando conta das porções e shawarmas. Quando sentimos o impacto do alho, contei pra turma a história de que o alho de shawarmas de outros lugares me dava azia, que se preparassem... e no dia seguinte a turma lembrou vividamente da história. Em determinado momento chegou um grupo de árabes e ficaram conversando com Salem numa das mesas do bar, a gente já tava alimentado. Ao final da noite, quando estávamos pagando a conta, chegou um grupo de jovens que mora ali na frente, pegar uma garrafa de qualquer coisa, e comemoraram a gente estar ali animando o bar.

Resumindo, a impressão que deu foi que o lugar é um buffet de almoço pra turma que trabalha na região, e só abre à noite pra tentar receber um pouquinho mais, mas é bem desorganizadão, meio que não era pra ser um bar. O ambiente é agradável e o Salem atende muito bem, mas o lugar é largado e a comida deixa bastante a desejar. Se for pra comer no almoço, vá lá, experimente, mas pruma botecada à noite escolha outro lugar.