sábado, 18 de abril de 2026

#301 – Bar do Pilim – 26/02/2026

Presentes: Adolfo, Adriano, Bráulio, Cabeça, Cid
Sugestão: Adolfo
Quando lá, comer: bolinho de gorgonzola

O Bar do Pilim é facilmente acessível, fica na Brigadeiro Franco logo após a esquina com Saldanha Marinho, vizinho do Chinchu e Botanique/Negrita. Estaciona na frente após 20h, mas costuma ficar cheio na região por causa da proximidade da Prudente de Morais, atual inferninho badalado de barzinho da cidade. Curitibanos estão tendo um gosto de como são algumas regiões de São Paulo e Rio de Janeiro, em que você cruza bairros inteiros sem uma puta vaga pra estacionar. Isto é só mais um motivo para você usar o maravilhoso sistema de transporte público de Curitiba, charmosas estações tubo, descendo na muito prática estação ahn... Visconde de Nácar e andando em sentido contrário na Saldanha Marinho para chegar ao boteco.

Com certeza tu já passou ali...

O Bar do Pilim é bastante amplo, fica numa casa que parece tombada (mas em pé) com um espaço aberto na lateral, uma cobertura tipo teto de prástico no fundo. São dois ambientes principais, um do larguíssimo balcão de fórmica para os bebedores solteiros solitários se sentirem ainda mais solitários, e um pátio com mesas espalhadas na lateral com uma luz amarelada que após passar várias vezes na frente, torna-se característica do lugar e traz um certo aconchego. O aconchego é bem-vindo, porque as paredes são num estilo industrial de concreto armado exposto que traria até um ar de desleixo se você não soubesse que é de propósito. Na frente tem um corredor de mesas singulares limitadas por uma grade, e tem uma saleta meio claustrofóbica no fundo com uma mesa de sinuca. O lugar é bem legal de ficar, música boa tipo grunge e roque anos 90 e 80, pops inocentes, volume um pouco alto mas damos desconto porque é boa. O boteco tava vazio (como é de costume) e os atendentes vêm rápido, jovens simpáticos atenciosos (falei que nem véio agora). A comida demora normal, nem pouco nem muito, drinks vêm rápido.

As mesas que você vê da rua
O balcão e seus clientes solitários
Acesso lateral ao balcão
O ambiente lateral
Mesa de sinuca mocadinha no fundo
Cardápio em página única dupla

O cardápio do boteco é bem interessante, não chega a ter uma variedade espetacular mas é muito mais que o suficiente para o objetivo de botecar: somente porções, beras e drinks. Dentre as porções, destaque para o marvadíssimo bolinho de mussarela recheado com gorgonzola (sempre escreverei mussarela com 2 “s”, o certo é errado). Frango com geléia de pimenta muito top. Carne de onça bem boa. Bolinhos de carne e costela – as porções de bolinho são bem boas mas pequenas, algumas tivemos que pedir de duas. Torresmo OK. Não tinha língua, sofri – pedimos moela na cerveja preta e não gostei muito do molho, melhor seria de tomate. Batata boa. De biritas, chopp Brahma, cervejas clássicas. Cachaças Bassi, excelente escolha, acessível, nativo do Paraná e de ótima qualidade, ao contrário do Bacco horroroso que domina o mercado (opinião própria impessoal). A carta de drinks é extremamente atraente, misturas criativas, ingredientes locais, irreverente, coisa de criador de drink estudado. Chato é que quando você pede... não vou dizer que os drinks são ruins ou mal executados, mas é tudo amarelo e azedo. Necessário equilibrar um pouco mais os ingredientes, talvez? Colocar mais xarope simples, potencializar ingredientes amargos? Sei lá, eu só sou bebedor profissional, não sei direito fazer. Preço é bom! Claro, porções pequenas acumulam o preço, mas pra região tá top.

A galera no gás... ainda bem que ninguém fuma

Pegamos estrategicamente a mesa ali na borda do teto de prástico, tu foge do sereno, condições ideais de botecagem, um vento mei forte trazendo chuva de madrugada (essa era a esperança...). Porra, puta lugar agradável, bons comes e bebes, e o que chama mais a atenção é o lugar estar sempre vazio quando você olha da rua, nota bem baixa no Google Maps, não faz sentido. Talvez durante o almoço o lugar se sustenta? Mas aí o Adriano trouxe uma informação extra: quando você olha os comentários, a turma fala que presenciou mais de uma vez o dono maltratando os funcionários. Então parece que é um tipo de boicote a chefe ruim, quem não se identificaria? Mais pro final da noitada, a música excelente supracitada se converteu a um sertanejo universitário lazarento de horrível, já estava num horário um pouco avançado, então aproveitamos pra nos mandar logo. Já que fomos os grandes patrocinadores da noite, os atendentes nos serviram uma saideira de cachaça infusionada, aplausos pra eles, fomos muito bem tratados. Quando perguntamos por que a música tinha piorado tanto de repente, eles falaram que no fim da noite o chefe sai de onde está (faculdade sei lá) e costuma dar uma espiada no bar, e que ele exige que esteja tocando música ruim porque “é um bar de samba”.
Então tivemos uma história pra contar no blog. Nossa experiência foi ótima, coincidiu com um período que o dono do bar não estava presente, mas o que vale foi o que presenciamos, e aprovamos a botecada.

terça-feira, 7 de abril de 2026

#300 – Botequim do Dinei – 12/02/2026

Presentes: Adolfo, Adriano, Bráulio, Cabeça, Cid, Pedro-san, Tanaka
Sugestão: Cid
Quando lá, comer: bolinho de linguiça

O Botequim do Dinei fica em Campo Largo, mas não se impressione tanto com a distância, calma aí! Meia horinha do Barigui tu tá lá. Pegue a 277 sentido Ponta Grossa (claro), e na entrada principal de Campo Largo tu faz a barboleta e entra na cidade via ladeirão. Segue reto passando as pequenas indústrias e a prefeitura, e depois da rotatória ou redondo segundo os catarinas, ainda segue reto. Não se encante com a praça, que dá vontade de virar nela mesmo, vai mais um pouco e depois do posto Concha, primeira à direita. Benedito Soares Pinto a rua. Nela segue umas dez quadras, você vai ver o centro crescer e diminuir, a cidade acha que vai urbanizar mas volta a ser novamente uma Villa. Passando a distribuidora de gás e chegando a um outro posto de novo, vira à direita, João Batista Vallões o nome da rua. O boteco está na próxima esquina, esquina com a Avenida Centenário que visitamos no boteco nº 100 e repetimos com o boteco nº 300.


Chegamos à marca de 300 botecos, senhoras e senhores. Como dizem os véios, sempre falo que no meu tempo eu achava que depois do cinquentésimo boteco teria tudo acabado e a gente teria que ir pros boteco de vila, mas a cidade é muito maior que eu imaginava, veja onde chegamos: estamos indo num boteco de vila fora da cidade. Zuêras à parte, agora praticamente sendo uma tradição, quando temos um boteco de número redondo como 100, 200, 300 ou 175, nos vemos forçados a ir além de onde a vista alcança, onde os ônibus não são vermeio ou amarelo. Dentre as propostas de Araucária, Lapa, Campo Largo, o que acabou encantando os confrades foi o carisma de um gordo barbudo no insta, e a votação nos trouxe novamente à Avenida Centenário de Campo Largo. Sério, olhe o insta do boteco e veja se não dá vontade de ir lá. É muito atraente e barato, não é pu Sílvio, queremos o tira-teima! Então pegamos a nossa outra quinta-feira de sempre e marcamos um encontro atrapalhado no meque da Vestefalen, em que só o kombão foi de carro e demais confrades foram de carros e ônibus não próprios, devia ter marcado num lugar menos movimentado. 5 peão se encontraram neste ponto e coletaram o 6º na região do Barigui, rumo à região metropolitana norte da capital do Pinhão, em um glorioso motor watercooled flex de Fox embalado numa caixa de sapato.

Não tirei foto da Kombi neste dia. Acredita? Vou ver se alguém tirou

O Botequim do Dinei tem um astral botequim, mas busca um nível extra de conforto para agradar os nativos campolarguenses, então o ambiente é caprichadinho. Numa esquina que parece que era uma casa antiga de grande área, temos um ambiente aconchegante na entrada, junto à cozinha e ao balcão. Parede de tijolinho, plantas que deixam dúvida se são de verdade, mesas de madeira preta, puta lugar top. Transbordando em popularidade, abriram um salão no andar de baixo, também muito ajeitadinho com balcão auxiliar e itens vintage da modinha, e ainda compraram o terreno ao lado pra montar uma churrasqueira e um parquinho pras crionça se distraírem enquanto o pai toma todas. Cabe bastante gente, soma umas 30 mesas de em média 6 pessoas, o que dá 180 segundo a matemática básica, operador multiplicação. Existe um certo culto à personalidade do Dinei, como ocorre com personalidades carismáticas da televisão, igrejas e políticos populistas, sua silhueta figurando nos cardápios e paredes. Havia baixa expectativa dele estar presente nesta noite tão importante, e realmente ele não apareceu. Nos contentamos com uma versão dele feita em IA pelo cabeça no celular, transcrevo-a abaixo. Naquela noite de fevereiro, um calor do demônio, tá faltando um ventiladorzão lá embaixo Dinei! Uma puta JBL a todo volume, a praga do século, do tamanho de uma lixeira de clube, aquelas que até tem pegador e rodinha tipo um carrinho de transportar geladeira. Soltando um pagode desgraçado a noite toda, as mesas tendo que gritar acima da música, uma zona, ponto negativo para o bar. A quantidade de atendentes é considerável, só é meio difícil fazer os pedidos com todo o alarido. Agora, a partir do pedido, caralho, como que as frituras chegam tão rápido? É como se a cozinha tivesse adivinhado o que a gente queria. Só o burger do Tanana demorou, de resto é vapt vupt (essa é das antiga). Tratamento OK, os próprios atendentes vão ficando estressados com o barulho.

Entrando pela frente você vê o balcão assim
Vendo a entrada do balcão...
 
Descendo a escada, calor da porra
Outra vista do mesmo lugar, nóis no cantinho
Quiser trazer as cria, tem espaço pra largar
Comes I
Comes II
Comes III
Bebes I
Bebes II
Diz aí, o desenho do cardápio é muito mais fiel ao Dinei de IA do que o Dinei original

O cardápio do botequim é certamente muito interessante, uma boa variedade de porções que só um bar de grande porte aguenta sustentar. Só fritura e desgraça, o coração da comida de boteco. Comemos bolinhos, destacando-se o de linguiça, muito top. Tilápia, fritas com costela desfiada, coisa fina. Bolinho de queijo, alcatra na mostarda bons (este demorou um pouco mais). Mandioca estava meia boca, aqueles bolinho de mandioca pré-macetado em vez de aipim de verdade sabe? De bebes, chopes barateza em caneco congelado, um dos grandes atrativos do boteco, meia boca mas cumpriram o propósito. Dentre eles, o grande astro, por incrível que pareça, era o chopp de vinho rosê, caindo no gosto dos confrades talvez pela refrescância em meio ao calor endiabrado, saindo em várias unidades. Drinks foram pouco pedidos, a maioria era drinque clássico piorado pela qualidade da matéria prima. Em relação às biritas, um adendo negativo foi o gin, que para os drinques usavam Seagers mas nas prateleiras a gente via Hambre e Tanqueray, para quê escondem o jogo? Um adendo semi-positivo são as cachaças do cardápio, que eles classificam de tradicional a super premium de forma muito acertada, as marcas muito bem encaixadas em suas categorias – só era semi-positivo porque o preço não era muito positivo. Mesmo assim, de forma geral o preço foi legal, puxado pra baixo pelo preço dos chopps.

A galera que dá orgulho no pai

Climão de festa ali no trocentésimo boteco, conseguimos reunir toda a galera regulamentar que ainda frequenta o nosso xquema, com a aparição do Tanaca que desde o nascimento do filho deixa saudades. Ele fez o esforço de ir de carro próprio até Campo Largo, ao contrário dos demais exceto o kombão como previamente discutido. Saudades dos que nos deixaram ou têm frequentado pouco, mantenho os agradecimentos pela contribuição ao crescimento da Confraria, especialmente aos membros fundadores Tony e Cabelo (Cabeça ainda entre nós, obrigado). Mas puta merda, que calor e que música pentelha, às vezes eu saía da mesa pra dar uma esfriada na garoa do parquinho. Quando passou das 22h e as famílias começaram a ir embora, vagaram umas mesas lá em cima, então eu puxei a galera pra lá que estava mais fresco e silencioso. Fica a dica, chegar cedo pra pegar mesa em cima que é bem melhor. Bráulio pediu uma sobremesa lá em cima, daquelas que todo mundo questiona a masculinidade mas ninguém se abstém de consumir – algum diabo de chocolate, bolacha e mashimeno, coisa boa. Ficamos mais uma meia hora e o kombão foi devolver a galera em casa, quanta mordomia. Assim é fácil sair pra beber.

Bebedores da távola quadrada 300º

Resumo do bar, só das lembranças que ficaram: ambiente bonito, variedade de comes legal, chope barato; música alta desgracenta e calor do diabo deram uma estragada. Bom pra fazer um happy hour se você for campo-larguense, mas sendo curitiboca, existem lugares mais interessantes mais perto – mais botecáveis, de comida melhor, de drinks mais top, e às vezes tudo ao mesmo tempo.

domingo, 29 de março de 2026

#299 – Botequim do Véio – 29/01/2026

Presentes: Adolfo, Adriano, Cabeça, Cid
Sugestão: Cabeça
Quando lá, comer: bolinho de milho com gorgonzola

O Botequim do Véio fica no Água Verde, bem na curva em que a Avenida dos Estados vira a Rua Castro, na frente da pracinha dos escoteiros. Pra chegar lá acho que o caminho mais direto é a Ângelo Sampaio, que depois da Rua Chile vira Professor Luiz César, nome genérico, não é estranho que nunca decorei essa rua. Você pode ir até o final caindo na Avenida dos Estados, mas em ver de seguir o fluxo você vira à esquerda. Duas quadras depois o boteco está na esquina, não dá pra perder. De vermeião você pode descer na Dom Pedro I, mas aí é necessário resistir à tentação de visitar os 5 boteco da Avenida dos Estados que você atravessa antes de chegar à Castro (e são lugares bons hein).

É nóis fechando o boteco...

O Botequim do Véio é um lugar recentemente aberto (no momento deste post, que a partir de agora entra para a infinita história da internet, a ser absorvido e corrompido pela inteligência artificial). Não tem frescura, como um boteco deve ser, mas é bem ajeitadinho para ser agradável aos visitantes (iluminação sempre cumprindo seu papel). Mesas de MDF e cadeiras de metal, tudo simples, mas ambiente com toque de arquiteto. Na parede, um caminho de formigas, não vi correlação com nada específico. Música brasileira das boas, MPB, sambinha leve. Balcão de bar atraente e estufa de salgados. Mesinhas altas na calçada sob a marquise, e certamente mesas normais do lado de fora se não chove. Se chove, conte com um bar vazio, pelo menos durante a semana, o que aconteceu naquele dia. O véio é um cara jovem, contraintuitivamente, talvez pelos poucos cabelos grisalhos rodeando sua careca, e nos atendeu com bastante afinco depois de pendurarmos a gloriosa bandeira da confraria nas cadeiras. Mas não se preocupe, nossa avaliação é imparcial a elogios. OK, só a moça que nos atendeu parecia bastante mal-humorada, não precisamos que seja tudo sorriso mas gerou desconforto. Estávamos sozinhos no bar, então era esperado que as coisas não demorassem muito, e não demoraram muito, confirmando nossas expectativas.

Vista do salão interno com balcão
Caminho de formiga
As mesinhas do lado de fora, conforme a chuva permitiu
A tal vitrine de acepipes
Cachaças do dia, em mural vintage
Comes
Bebes

A comida do Botequim do Véio é o destaque, variedade top de comidarada de boteco. O bolinho de milho com gorgonzola é astro, bom para cacete. Língua boa, dobradinha (esta deu vontade mas não tive companhia para pedir). Cadin do Véio, linguiça, torresmo e mandioca, deusdocéu, que me desculpe o sistema digestivo. Pastel de angu e queijo estava interessante, mas angu e queijo não combinam muito, e a gordura já tinha passado do ponto, sentimos aquele peso na barriga. Tem uma estufa que chamam de vitrine de acepipes, claro que rolou um rollmops, mas com tanta porção interessante não nos atraiu recorrer às comidas requentadas. A galera quis o doce também, queijo com doce de mamão, tudo muito bom enfim. De biritas, cervejas convencionais e doses de cachaças interessantes em variedade limitada, mais alguns drinks também interessantes em variedade limitada, não podemos nos queixar. As porções são um pouco reduzidas em tamanho, então o preço dá uma amontoada no final da noite, mas abra sua carteira, invista no seu lazer.

 
Os clientes da noite

Como dito acima, dia de chuva, boteco vazio. Esperei um tanto até a primeira vítima chegar, o Cabeça, Adolfo chegou logo. Adriano demorou a chegar, só porque mora na casa do caralho, desculpe o palavreado mas tomar no cu, mora longe. Gostaria de ter mais companheiros(as) para comermos mais opções do cardápio, ou um estômago maior, mas acho que prefiro companheiros(as). Véio nos tratava bem mas a moça tinha cara fechada, parecia que estava nos atendendo por obrigação, certamente isso é verdade como em qualquer emprego a não ser que você seja o dono, mas sabe como funciona atendimento a cliente e tal. Bom, 22h15 levantam as cadeiras nas mesas e nos trazem a conta sem pedirmos, expulsão direta sem termos derrubado ninguém na área, tampouco cotovelada de Leonardo ou cabeçada de Zidane. Divisão da conta feita errada, vergonha de pegar calculadora pra fazer certo. Sei lá cara, entendo que éramos os únicos no bar, mas a gente não pretendia esticar, nos enxote com simpatia, não com voadora. No maps diz que fecha às 23h, mas não contem com isso. Então esta é a resenha. Quero voltar para experimentar o resto, mas vou com o pé atrás pelas poucas más lembranças proporcionadas.

quarta-feira, 25 de março de 2026

#298 – Bentevi – 15/01/2026

Presentes: Adolfo, Adriano, Cabeça
Melhor boteco de 2025
Post anterior (com cardáps e outras informações)

Bentevi. Aonde a Prudente de Morais faz a curva. No sentido figurativo, a Prudente não tem curva. Mas ali onde a muvuca não chega. Exceto nos fins de semana. Tá, tou falando muita merda aqui. Mas é dois toque da Martim Afonso e do ponto Brigadeiro Franco do vermeião, não perca.

Cabeça aparece nas fotos

2026, dia de confraria era 01/01 e todo mundo viajando. Galera, cadê a prioridade na botecagem? Só um caboco disponível para bar neste dia. Bom, o bar estaria fechado no dia 01 mesmo. Aí fomos obrigados a pular um encontro, mas jamais dispersar: nossa história continua.

 
Lá fora
Lá dentro 1
Lá dentro 2
Comes
Bebes

Os presentes relembraram o que fez este bar ser o top of mind do ano anterior: a comida. A ausência do glorioso bolovo deixou saudades, algo que acontece mais do que deveria, mas a adição do sanduíche de abacaxi e queijo coalho com vinagrete não decepcionou. Demais comidas, coxinha no panko, tiras de carne, a batata bem temperada, tudo lá. Drinks lá. Música lá. Sucesso sem erro, pança e ouvidos felizes.

Cabeça tira selfies

Como é costume, o ideal é acessar o post anterior clicando aqui ou aqui neste link para informações mais detalhadas. Mas quando você vai num boteco que é disparado o melhor avaliado do ano dentre 26 visitas, sabes que encontrarás algo diferenciado. Quem estava lá aprovou, por mais que tenha ido de bicicleta vindo de longe tomando uma tempestade na cabeça. Sacrifícios em prol da botecagem, o fígado nosso fiel escudeiro. Não percam tempo. Leiam o livro e visitem este bar.

sábado, 7 de março de 2026

#297 – Bar do Edinho – 18/12/2025

Presentes: Adolfo, Adriano, Bráulio, Cabeça, Cid, Pedro-San
Sugestão: Cid
Quando lá, comer: Caranguejo (ué)

O famoso Bar do Edinho fica no Guabirotuba, bairro que pode ser resumido pelo lado direito da Linha Verde na altura da PUC, aonde o Rio Belém faz a curva. Não sei muito bem me virar nesse bairro, eu diria que o melhor caminho é pegar a Marechal Floriano e quando passar a linha verde na altura do Shopping Cidade, virar à esquerda como se fosse ir pra Bodebrown. Mas aí passa reto a esquina da Bodebrown e vira à esquerda depois do Rio Belém, acompanhando o rio. Ali é meio feioso e escuro, mas tenha fé; quarta rua à direita se chama Paul Cezanne, um milagre invocar um pintor francês no meio de tanta rua pra político. Por ali você já deve estar vendo uma fila de carros estacionados, bom sinal. Estacione logo que em volta do bar é difícil ter espaço. No alto da subida, o bar na esquina. Também tem como ir da Avenida das Torres e virar à direita umas três ruas depois da Ponte Estaiada, ou pegar o amarelinho Guabirotuba que vem desde a Praça Rui Barbosa.

O oásis na escuridão do Guabirotuba

O Bar do Edinho é conhecido pela sua temporada de caranguejo, extremamente movimentada. Tem mais jeito de restaurante, é verdade, mas é bem... descolado, pra não dizer bagunçado, então meio que lembra um boteco sim. O local possui quatro ambientes grandes, eles deixam as mesas bem mocadas, deve ter umas 100. Na entrada a moça te direciona para uma mesa que pode ser lá dentro, perto da entrada, à esquerda e lá embaixo. Lá dentro, perto do balcão onde paga, é tenso porque o pé direito é muito baixo e é movimentado demais porque é ali que se paga a conta, então é estressante. Na entrada e à esquerda é parecido, meio apertada a passagem, ainda agitado mas pelo menos é mais iluminado. Lá embaixo é uma tenda, acho que é o melhor ambiente, porque o pé direito é bem alto, então o barulho não agride tanto, mas não é tão isolado da temperatura externa. O lugar é uma muvuca do cacete, gente gritando, criança tropeçando, garção correndo pra cima e pra baixo, seja esportivo. O atendimento é aleatório, tem dia que você pode ser muito bem atendido, tem dia que você se sente abandonado, role o dado com bônus do lugar que você sentou. Mas sem caranguejo você não vai ficar.

Na entrada é assim
À esquerda
Lá dentro. No fundo é o balcão. Meio insalubre esse aí
Lá embaixo, a tenda
O astro da noite
Cardápio (as porções eles mandam no zap quando você reserva)

O bar oferece um esquema preço fixo para a comida, sendo que às 19h começam a servir porções para ir forrando o pandulho. Camarão e tilápia fritos são as melhores porçõezinhas, que vêm em cumbuquinhas. Batata e polenta OK, pode ser que cheguem frios à mesa. Torresmo meio fraco, nem crocante nem quente, mas pelo menos não é duro nem baconzitos. Espetinhos de carne e frango meio sem graça. Macarrão com molho de camarão ruinzinho. Claro, a graça do lugar é o caranguejo, que servem às 20h, momento ritualístico em que os clientes batem o martelo de prástico na mesa em uníssono, pode levar até uns 10 min pra chegar à sua mesa dependendo da posição. O caranguejo é bem bom, tempero bom, mas quem já comeu sabe que não é uma refeição, é uma atividade. Para isso que servem as outras porções, para você não passar fome enquanto abre os caranguejos, dos quais sai pouca carne por vez (75g por caranguejo, segundo meu sogro). Sendo um consumidor médio, você deve consumir 3 ou 4 caranguejos, mais que 5 você é vencido pelo perrengue de ficar abrindo o bicho. Nesta visita a carne estava saindo fácil da criatura, achei que era algum tipo de técnica de cozimento, aproveitamos bastante. Acabei indo no mês seguinte e a dificuldade do garimpo já estava convencional, então a magia que criei na minha cabeça era uma farsa. OK, bebidas temos cervejas convencionais, doses simples com pouca variedade, e caipirinhas de Smirnoff, pode ser Absolut se você quiser se gabar para a cremosa. Ah, a dica é que se você for pedir uma coca, peça na garrafinha de vidro, se você não falar eles trazem lata que todos concordam que é muito pior. O preço é meio pesado, mas considerando que é caranguejo, damos um desconto (moral, não financeiro).

Armados

Eu e cabeça em discussão no Cataia inventamos essa de ir no bar do Edinho, e acabamos tendo que fazer uma votação antecipada no zap, porque no início da temporada tem fila de reserva de mais de uma semana no estabelecimento, reservamos dia 04 pra ir dia 18/12. Então fica a dica, não deixe de reservar. Fim de temporada aparentemente é mais sossegado, a galera vai enjoando imagino. Não chegue cedo demais, senão a barriga enche de porção que não interessa, nem muito tarde, que o rodízio termina às 23h (e para caranguejo isso não é demais). Bom, nós nos divertimos bem, não precisávamos nos preocupar em rosnar e esbravejar em meio à muvuca, e podíamos usar os martelos de arma branca como piás. Sentamos no cantinho lá embaixo, parecia que seríamos os últimos a receber mas eles servem cruzado e chegava primeiro para nós, sucesso. Tivemos o tradicional XI amigo secreto da confraria, para que não faltasse birita no natal. Achei que a galera comeu pouco, teve gente que enjoou do tempero, mas a maioria não teve paciência mesmo. As caipirinhas ficaram rolando até o final do expediente, contudo, final em termos porque quando a gente saiu ainda tinha 30% da capacidade do bar ocupada.
 
A montagem desgraçada de costume... Tudo calculado nesta, ninguém se pegou. Bráulio deu para Cabeça deu para Cid deu para Pedro-san deu para Adriano deu para Adolfo deu para Bráulio

Então é isso, se for para comer caranguejo o lugar é divertido, vale a pena. Mas vá preparado com energia e paciência. Energia pra aguentar a barulheira e a muvuca, e paciência para abrir os caranguejos e aguardar as porções, as que você não quer vêm direto, as que você quer demoram.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

#296 – Bar do Santista – 04/12/2025

Presentes: Adolfo, Bráulio, Cabeça, Cid
Sugestão: Cabeça
Quando lá, comer: Frango com alho

O Bar do Santista (em Curitiba) fica no Guaíra, vizinho do Portão além do Água Verde. O nome da rua é Paraíba, e sim, fica na região das ruas com nomes de estados, mas é pra lá da Avenida Kenny G, então o nome dá a impressão de ser mais perto do que é. Pra chegar lá, você vai pela rápida do Portão sentido portão e vira à esquerda depois do Ventura, e segue até o Palladium como de costume, mas em vez de virar à direita pra contornar o shopping e pegar a Santa Bernardethe, segue reto na Kenny G. Depois de uma quadra, tem uma rua que sai na diagonal à direita, é a Paraíba. Segue reto e a rua de cidade vai virando rua de villa, depois dumas seis quadras sai uma rua torta à esquerda na frente do que parece um canteiro, e o bar é ali mesmo – a partir das 10h é capaz de você já ver uns véio sentado na frente, dependendo do clima. Chato que o busão prali é meio lazarento, ou vai a pé do terminal do Portão que dá uns 15 min, ou pega um alimentador laranjão no terminal. Mas tu que é aventureiro(a), adora um boteco e tá de varde, pode gastar um tempinho a mais pra ir num bar raiz sem se preocupar com multas de trânsito ou xilindró. Ou a saída fácil, pega um Uber.

A frente do botecão de bairro

O Bar do Santista transborda botecalidade. Sensação de botecão de vila, quadros de futebol e tevê com futebol também, chão de lajota, lâmpada fluorescente. Tentaram padronizar as mesas de madeira e cadeiras de segunda mão da Rua Riachuelo, mas as cadeiras de prástico da Brahma são necessárias para suprir as vagas extras para o vizinho que não foi convidado, mas apareceu. Você pode escolher lá fora ou lá dentro, mas saiba que lá dentro a chance grande é de estar lotado com os clientes cativos do lugar, que pelo jeito não largam mão de reunir com frequência lá – tanto que uma das paredes é coberta com fotos e desenhos homenageando os aparentemente mais frequentes. A gente chegou às 19hpouco e o bar estava 100% lotado, e assim ficou até 22h, ninguém saía! Mas é compreensível – sabe quando você entra num lugar e sente a energia positiva de quem está em casa, batendo um papo animado sem se preocupar com a problemática da vida? Isso sim é a verdadeira essência do boteco brasileiro.

Tive até que pular uma linha depois dessa frase de efeito, pra não se perder num parágrafo tão grande. O cara mais agitado do bar é o dono, que atende por Vini e é identificável por uma camisa do Santos FC, que certamente usa todos os dias como uniforme. Ele fica correndo pra cima e pra baixo pra levar os comes e bebes em todas as mesas, e ainda troca umas frases com quem está sentado no balcão. Eu tenho a impressão que alguém que ajuda ele faltou naquele dia, era ele e a turma da cozinha que não sei se é só uma senhora ou mais alguém, mas era difícil arrumar uma audiência com ele pra pedir coisas. Ele é um cara baixinho e truncado, não muito sorridente, mas faz o possível para tratar todo mundo bem, mesmo forasteiros como nós. A comida demorou um tanto, mas não o suficiente para a gente achar que o pedido foi esquecido.

Climão de boteco de interior
Paredes homenageando os nativos, em versão carne e osso logo abaixo
Engravatados suspeitos
Nóis perdido lá fora
Cardápio não tem, mas as garrafas estão ali

Cardápio em boteco raiz é o cacete, você pergunta o que tem pra comer e está sujeito a escolher o que o dono lembra de falar que tem. Dentre as opções fornecidas, escolhemos o frango a passarinho com bastante alho, suculento e saboroso, ponto alto da noite. Fritas bem boas. Tinha acabado o torresmo, mas ao notar nosso desapontamento, Vini foi lá dentro e voltou com uma meia porção que arrumou na cozinha, firmeza ele. Torresmo bom, por sinal. Bolinho de alguma coisa que não lembro. Tilápia. De forma geral, a comida era de boa qualidade, acima da expectativa. De beber, cervejas convencionais e biritas de boteco em variedade limitada, fazem caipirinha – disponíveis os elementos essenciais para um boteco que se preze. Preço relativamente amigável.

Guerreiros da noite

Como citado acima, chegamos não muito tarde, mas o boteco estava lotadão de véios e assim ficou até de noitão. Não tivemos opção senão puxar uma mesa de prástico do lado de fora, não estava tão frio mas batia um vento desagradável. A expectativa era que alguém fosse embora pra gente assumir uma mesa mais confortável do lado de dentro, mas isso só aconteceu às 22h. Mas tudo bem, a gente se divertiu com nosso bate-papo e com a circulação dos nativos. Lá dentro tinha mesa que tava rolando até caranguejo, mas não parecia estar disponível aos plebeus – e o clima lá fora não estava propício ao trabalho de destrinchar um crustáceo. Tudo pra estarmos mal-humorados, mas o clima é animador. Fomos lá dentro quando os engravatados liberaram a mesa, e tomamos mais uma rodada para fechar a noite mas não o boteco.

Resumindo, botecão, ambiente raiz top, nativos véios e animados, recomendamos ir com temperatura agradável para não arriscar ficar no relento pegando friage. Se deseja conforto ou comidas gurmetizadas, escolha outro lugar, mas se está esportivo, com saudade da vila, uma ótima botecada.