Sugestão: Cid
Quando lá, comer: Caranguejo (ué)
O famoso Bar do Edinho fica no Guabirotuba, bairro que pode ser resumido pelo lado direito da Linha Verde na altura da PUC, aonde o Rio Belém faz a curva. Não sei muito bem me virar nesse bairro, eu diria que o melhor caminho é pegar a Marechal Floriano e quando passar a linha verde na altura do Shopping Cidade, virar à esquerda como se fosse ir pra Bodebrown. Mas aí passa reto a esquina da Bodebrown e vira à esquerda depois do Rio Belém, acompanhando o rio. Ali é meio feioso e escuro, mas tenha fé; quarta rua à direita se chama Paul Cezanne, um milagre invocar um pintor francês no meio de tanta rua pra político. Por ali você já deve estar vendo uma fila de carros estacionados, bom sinal. Estacione logo que em volta do bar é difícil ter espaço. No alto da subida, o bar na esquina. Também tem como ir da Avenida das Torres e virar à direita umas três ruas depois da Ponte Estaiada, ou pegar o amarelinho Guabirotuba que vem desde a Praça Rui Barbosa.
O oásis na escuridão do Guabirotuba
O Bar do Edinho é conhecido pela sua temporada de caranguejo, extremamente movimentada. Tem mais jeito de restaurante, é verdade, mas é bem... descolado, pra não dizer bagunçado, então meio que lembra um boteco sim. O local possui quatro ambientes grandes, eles deixam as mesas bem mocadas, deve ter umas 100. Na entrada a moça te direciona para uma mesa que pode ser lá dentro, perto da entrada, à esquerda e lá embaixo. Lá dentro, perto do balcão onde paga, é tenso porque o pé direito é muito baixo e é movimentado demais porque é ali que se paga a conta, então é estressante. Na entrada e à esquerda é parecido, meio apertada a passagem, ainda agitado mas pelo menos é mais iluminado. Lá embaixo é uma tenda, acho que é o melhor ambiente, porque o pé direito é bem alto, então o barulho não agride tanto, mas não é tão isolado da temperatura externa. O lugar é uma muvuca do cacete, gente gritando, criança tropeçando, garção correndo pra cima e pra baixo, seja esportivo. O atendimento é aleatório, tem dia que você pode ser muito bem atendido, tem dia que você se sente abandonado, role o dado com bônus do lugar que você sentou. Mas sem caranguejo você não vai ficar.
Na entrada é assim
À esquerda
Lá dentro. No fundo é o balcão. Meio insalubre esse aí
Lá embaixo, a tenda
O astro da noite
Cardápio (as porções eles mandam no zap quando você reserva)
O bar oferece um esquema preço fixo para a comida, sendo que às 19h começam a servir porções para ir forrando o pandulho. Camarão e tilápia fritos são as melhores porçõezinhas, que vêm em cumbuquinhas. Batata e polenta OK, pode ser que cheguem frios à mesa. Torresmo meio fraco, nem crocante nem quente, mas pelo menos não é duro nem baconzitos. Espetinhos de carne e frango meio sem graça. Macarrão com molho de camarão ruinzinho. Claro, a graça do lugar é o caranguejo, que servem às 20h, momento ritualístico em que os clientes batem o martelo de prástico na mesa em uníssono, pode levar até uns 10 min pra chegar à sua mesa dependendo da posição. O caranguejo é bem bom, tempero bom, mas quem já comeu sabe que não é uma refeição, é uma atividade. Para isso que servem as outras porções, para você não passar fome enquanto abre os caranguejos, dos quais sai pouca carne por vez (75g por caranguejo, segundo meu sogro). Sendo um consumidor médio, você deve consumir 3 ou 4 caranguejos, mais que 5 você é vencido pelo perrengue de ficar abrindo o bicho. Nesta visita a carne estava saindo fácil da criatura, achei que era algum tipo de técnica de cozimento, aproveitamos bastante. Acabei indo no mês seguinte e a dificuldade do garimpo já estava convencional, então a magia que criei na minha cabeça era uma farsa. OK, bebidas temos cervejas convencionais, doses simples com pouca variedade, e caipirinhas de Smirnoff, pode ser Absolut se você quiser se gabar para a cremosa. Ah, a dica é que se você for pedir uma coca, peça na garrafinha de vidro, se você não falar eles trazem lata que todos concordam que é muito pior. O preço é meio pesado, mas considerando que é caranguejo, damos um desconto (moral, não financeiro).
Armados
Eu e cabeça em discussão no Cataia inventamos essa de ir no bar do Edinho, e acabamos tendo que fazer uma votação antecipada no zap, porque no início da temporada tem fila de reserva de mais de uma semana no estabelecimento, reservamos dia 04 pra ir dia 18/12. Então fica a dica, não deixe de reservar. Fim de temporada aparentemente é mais sossegado, a galera vai enjoando imagino. Não chegue cedo demais, senão a barriga enche de porção que não interessa, nem muito tarde, que o rodízio termina às 23h (e para caranguejo isso não é demais). Bom, nós nos divertimos bem, não precisávamos nos preocupar em rosnar e esbravejar em meio à muvuca, e podíamos usar os martelos de arma branca como piás. Sentamos no cantinho lá embaixo, parecia que seríamos os últimos a receber mas eles servem cruzado e chegava primeiro para nós, sucesso. Tivemos o tradicional XI amigo secreto da confraria, para que não faltasse birita no natal. Achei que a galera comeu pouco, teve gente que enjoou do tempero, mas a maioria não teve paciência mesmo. As caipirinhas ficaram rolando até o final do expediente, contudo, final em termos porque quando a gente saiu ainda tinha 30% da capacidade do bar ocupada.
A montagem desgraçada de costume... Tudo calculado nesta, ninguém se pegou. Bráulio deu para Cabeça deu para Cid deu para Pedro-san deu para Adriano deu para Adolfo deu para Bráulio
Então é isso, se for para comer caranguejo o lugar é divertido, vale a pena. Mas vá preparado com energia e paciência. Energia pra aguentar a barulheira e a muvuca, e paciência para abrir os caranguejos e aguardar as porções, as que você não quer vêm direto, as que você quer demoram.




















































