Sugestão: Adolfo
Quando lá, comer: burguer né
O PL Bar fica ao lado do Red Light Bar, no Alto da XV, Padre Germano Mayer, perto daquele terminal de ônibus estranho que não é bem um terminal, onde a linha do trem cruza a rua. Pra chegar lá, vai pela Souza Naves (que é a continuação da Nilo Cairo que é a continuação da André de Barros que é a continuação da Dr Pedrosa que é a continuação da Av Batel que é continuação...) até a Germano Mayer na altura da Igreja do Cristo Rei e vira à esquerda, duas quadra pra frente tem um bar de luz vermelha que parece uma zona, você passou. É logo antes, a casa obscura. Automaticamente você achou o Red Light. Busão ali tem alguns amarelo que passam pela Marechal Deodoro, mas dá pra ir de vermeio até a estação tubo Viaduto do Capanema e andar umas poucas quadras até o bar.
Piscou, perdeu
Esse é mais fácil de achar
O PL Bar é um clássico da boemia curitibana, e é um tanto peculiar. Não tem assim uma placa, tem uma faixa que às vezes tá lá às vezes não, e é tudo escuro, parece uma caverna, então se você não for direcionado para o local exato é fácil de perder. “Rústico” talvez seja uma palavra para caracterizar o muquifo, mas tem um tanto de “gótico” pela escuridão. “Aconchegante” teve gente que falou, eu discordo, sou mais de lugar ensolarado e aberto. Mas certamente dá certo para jóvis, que povoam o lugar com frequência em números consideráveis, fica um aspecto de bar universitário. Tem bastantes... objetos lá, tudo meio jogado assim, mas passa um ar de estar organizado. Além das mesas, sofás e cadeiras aqui e ali, mesa de pebolim sempre vazia, um videogame multijogos em TVzinha de tubo (gen Z não pode dizer que é nostálgico, nem tinham nascido!) e montanhas de cacarecos velhos em prateleiras e cristaleiras. Passa uma noção de dono acumulador, mas está tudo em seu lugar. Em dias de frio, a galera se amontoa dentro, em dias de calor, a galera se amontoa fora, ambiente concretado industrial onde há muitas plantas tipo jardim de vó (ou de bruxa). Sei lá, os jóvis nativos são fissurados no lugar, e segundo as redes sociais boa parte disso se deve ao dono Pedro Lauro, um veinho simpático que dizem que está sempre lá arrumando as coisas do “jeitinho dele” mas não estava nesta noite em que estivemos, quem sabe ele ajudasse a trazer um charme pro lugar. Voltemeia entra um mendigo ou outro e sai, não sei o que fazem lá, deve ser uma dose. Os pedidos são no balcão, paga-se na hora, o lugar não tem comida, só birita, então tivemos que dar uma escapada para o Red Light que fica ao lado.
Entrada da caverna
Entretenimento
Bastante bagulho... mas tudo arrumado!
Casa do vô... bar do vô
Lá fora, mais aprazível (?)
Escuridão toma conta
Que estande de bebidas atraente...
O Red Light também é um tanto peculiar, mas menos. Facílimo de reconhecer pela luz vermelha, claro que parece uma zona, mas é um bar de jóvi mais convencional que poderia muito bem fazer parte da Trajano. Red light se refere ao Red Light District, rua de zoninhas de Amsterdã, o que é confirmado pelo “XXX” na parede do bar, que é a bandeira da cidade e se refere às famosas proteções contra enchentes (tá na minha memória isso aí, é verdade? Se eu pesquisar perde a graça) e tem uma bicicleta de enfeite. Tem um ambiente interno vaziozão com algumas mesas e uns tambores na calçada pra galera apoiar o cotovelo, e apesar de ter grande área vermeia (parece que você tá usando aqueles óculos 3D de celofane das antiga), tem um espaço de luz branca pra descansar os olhos. Tem uma puta JBL das grande na frente, roque brasileiro, Cazuza, Raimundos, Raulzito, Mamonas, Blitz, legal. Também se pede no balcão e tem comida, tornando-se um refúgio para quem tá com fome no PL. Eles dão um pager pra dizer que o pedido está pronto, mas eu não testei beber no PL esperando pedido no Red Light, não sei se alcança.
A entrada da zoninha é onde fica o balcão
Lá pra dentro, assim
Cardápio na parede se você não quiser pegar o cardápio em papel plástico
Os comes do Red Light se resumem a hambúrguer com fritas, e alguns salgados. Os burgers são bons, lembra do McDonald’s pelo pão, mas é mais bem feitinho. Batata frita boa, a batata trufada não vale a pena, o sabor é mais alho queimado que trufado. Pastel de queijo top, recheio considerável. Dadinho de tapioca ruim, meio mole desmanchando sei lá. De bebidas, cheque mate caseiro, jeque couque. Caipirinha demasiadamente doce. Chopp. Bebidas satisfatórias, nada mais. No PL, como é pra ser, somente beras comuns e biritas de boteco bem fulêras, batidas de garrafa de prástico por cincão, cynar a 8, barato barato, mais uma atratividade para os jóvis. Paga-se tudo no balcão, como dito anteriormente. Preço do Red Light OK, certamente não seria um impeditivo para retornar ao estabelecimento.Meu povo na biritage
Meu povo afogando a fome
PL é um bar que já dá pra dizer que é tradicional, mas não é assim atraente de fora – mas com rumores do Pedro Lauro se aposentar, tivemos que cumprir nossa missão botecal. Quase todo o povo meu povo que foi passou reto o PL, ele realmente não se destaca, ainda mais perto das luzes vermelhas. Começamos com um Cynar aperitivo no PL. Nerd rooteza escolheu tetris dentre os mil jogos no Nintendo. Homem simpático cinquentão nos atendeu inicialmente, explicou que não tinha comida, que tinha tido música ao vivo no dia anterior pela primeira vez em 17 anos (ufa, passamos perto de sofrer), mostrou as variedades do bar. Mas como eu e Bráulio estávamos com fome, começamos efetivamente o rolê no Red Light. A demora do pedido é proporcional à fome, quanto mais fome mais demora. Confrades foram chegando e se juntando à mesa vermelha do bar vermelho, e em satisfazendo nossos estômagos, seguimos ao PL só tomar umas. No segundo tempo, quem nos atendeu no PL foi um cidadão de meia idade barbudo de cabelo meio loiro que não era o PL, demasiado jovem, alto, quieto, mal vestido e mal-humorado. Você citava a bebida e ele servia (não pedia, só citava – cuidado com a boca). Tudo escuro, no calor todo mundo lá fora tava agradável. Música não se decide, vários estilos, roque, techno, silêncio. Frequentado por jovens, de vez em quando um morador de rua entrava e saía, lugarzinho diferente. Só faltou o encontro com o PL para captar o carisma do estabelecimento. Claro que fomos embora ainda com bastante gente no boteco, a altas horas.
















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